Exposição “Fintar a Vida: Caniço, Futebol e o Estado Novo”

Exposição “Fintar a Vida: Caniço, Futebol e o Estado Novo” 15.05.26 – 29.09.26

O Museu Nacional de Etnologia apresenta a exposição temporária «Fintar a Vida. Caniço, Futebol e o Estado Novo», que, através do futebol, propõe uma viagem aos subúrbios de Lourenço Marques, nas décadas de 1950-70, convidando a uma reflexão sobre cultura, desporto e os legados do colonialismo.

«Fintar a Vida» recorre à fotografia, a objetos da cultura pop da metade do século XX, a publicações de imprensa e a objetos da esfera futebolística, que, em estreito diálogo com as coleções do museu, desvendam os contrastes culturais e sociais existente na cidade de Lourenço Marques.

Tendo como ponto de partida os jogadores de futebol nascidos nos subúrbios da capital moçambicana que alcançaram o estatuto de vedetas mediáticas na metrópole – como Matateu, Coluna, Hilário, Vicente e Eusébio – a exposição revela como esta ascensão social representou uma exceção no sistema laboral de Lourenço Marques, cuja organização racializada bloqueou os projetos de vida da maioria dos africanos. Ao mesmo, procura refletir sobre a forma como o sucesso destes atletas foi apropriado pelo discurso oficial do regime, que, em oposição à realidade de exclusão e desigualdade vivida pela maioria da população africana nos territórios ultramarinos, procurou projetar uma imagem de integração e harmonia racial no império português.

O resultado é um espaço expositivo dividido em duas zonas distintas: o caniço, bairros periféricos, onde viviam moçambicanos vindos de várias regiões do território, mas também populações que já aí habitavam; em oposição à cidade de cimento, cosmopolita, desenhadas por arquitetos e urbanistas, símbolo da modernidade colonial.

Uma exposição contemporânea, que surge no contexto da evocação dos 60 anos da lendária participação da Seleção Nacional de Futebol no Campeonato do Mundo de 1966, que, ao mesmo tempo, visa continuar a promover o debate em torno de memórias, identidades e processos históricos que continuam a moldar o presente.

Exposição com curadoria de Nuno Domingos, investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e de Gonçalo Amaro, diretor do Museu Nacional de Etnologia.

Programa Paralelo dos Serviços Educativos


Exhibition “Dribbling Life: Caniço, Football and the Estado Novo” 15.05.26 – 29.09.26

The National Museum of Ethnology presents the temporary exhibition ‘Dribbling Life. Caniço, Football and the Estado Novo’, which, through football, takes visitors on a journey to the suburbs of Lourenço Marques in the 1950s–70s, inviting reflection on culture, sport and the legacies of colonialism.

‘Fintar a Vida’ draws on photography, mid-20th-century pop culture artefacts, press publications and football memorabilia, which, in close dialogue with the museum’s collections, reveal the cultural and social contrasts existing in the city of Lourenço Marques.

Taking as its starting point the footballers born in the suburbs of the Mozambican capital who achieved the status of media stars in the metropolis – such as Matateu, Coluna, Hilário, Vicente and Eusébio – the exhibition reveals how this social rise represented an exception within the labour system of Lourenço Marques, whose racialised organisation thwarted the life plans of the majority of Africans. At the same time, it seeks to reflect on how the success of these athletes was appropriated by the regime’s official discourse, which, in contrast to the reality of exclusion and inequality experienced by the majority of the African population in the overseas territories, sought to project an image of racial integration and harmony within the Portuguese empire.

The result is an exhibition space divided into two distinct zones: the ‘caniço’ – the outlying neighbourhoods where Mozambicans from various parts of the country lived, alongside the local population already settled there – set against the ‘concrete city’, a cosmopolitan area designed by architects and urban planners, symbolising colonial modernity.

A contemporary exhibition, emerging in the context of the commemoration of the 60th anniversary of the legendary participation of the National Football Team in the 1966 World Cup, which, at the same time, aims to continue promoting debate around memories, identities and historical processes that continue to shape the present.

Exhibition curated by Nuno Domingos, researcher at the Institute of Social Sciences of the University of Lisbon, and Gonçalo Amaro, director of the National Museum of Ethnology.