Exposição “Fintar a Vida: Caniço, Futebol e o Estado Novo” (15.05.26 – 28.09.26)

O Museu Nacional de Etnologia apresenta a exposição temporária «Fintar a Vida. Caniço, Futebol e o Estado Novo», que, através do futebol, propõe uma viagem aos subúrbios de Lourenço Marques, nas décadas de 1950-70, convidando a uma reflexão sobre cultura, desporto e os legados do colonialismo.
«Fintar a Vida» recorre à fotografia, a objetos da cultura pop da metade do século XX, a publicações de imprensa e a objetos da esfera futebolística, que, em estreito diálogo com as coleções do museu, desvendam os contrastes culturais e sociais existente na cidade de Lourenço Marques.
Tendo como ponto de partida os jogadores de futebol nascidos nos subúrbios da capital moçambicana que alcançaram o estatuto de vedetas mediáticas na metrópole – como Matateu, Coluna, Hilário, Vicente e Eusébio – a exposição revela como esta ascensão social representou uma exceção no sistema laboral de Lourenço Marques, cuja organização racializada bloqueou os projetos de vida da maioria dos africanos. Ao mesmo tempo, procura refletir sobre a forma como o sucesso destes atletas foi apropriado pelo discurso oficial do regime, que, em oposição à realidade de exclusão e desigualdade vivida pela maioria da população africana nos territórios ultramarinos, procurou projetar uma imagem de integração e harmonia racial no império português.
O resultado é um espaço expositivo dividido em duas zonas distintas: o caniço, bairros periféricos, onde viviam moçambicanos vindos de várias regiões do território, mas também populações que já aí habitavam; em oposição à cidade de cimento, cosmopolita, desenhadas por arquitetos e urbanistas, símbolo da modernidade colonial.
Uma exposição contemporânea, que surge no contexto da evocação dos 60 anos da lendária participação da Seleção Nacional de Futebol no Campeonato do Mundo de 1966, que, ao mesmo tempo, visa continuar a promover o debate em torno de memórias, identidades e processos históricos que continuam a moldar o presente.
Exposição com curadoria de Nuno Domingos, investigador no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, e de Gonçalo Amaro, diretor do Museu Nacional de Etnologia.
Exhibition “Dribbling Life: Caniço, Football and the Estado Novo” (15.05.26 – 28.09.26)
The National Museum of Ethnology presents the temporary exhibition ‘Dribbling Life. Caniço, Football and the Estado Novo’, which, through football, takes visitors on a journey to the suburbs of Lourenço Marques in the 1950s–70s, inviting reflection on culture, sport and the legacies of colonialism.
‘Fintar a Vida’ draws on photography, mid-20th-century pop culture artefacts, press publications and football memorabilia, which, in close dialogue with the museum’s collections, reveal the cultural and social contrasts existing in the city of Lourenço Marques.
Taking as its starting point the footballers born in the suburbs of the Mozambican capital who achieved the status of media stars in the metropolis – such as Matateu, Coluna, Hilário, Vicente and Eusébio – the exhibition reveals how this social rise represented an exception within the labour system of Lourenço Marques, whose racialised organisation thwarted the life plans of the majority of Africans. At the same time, it seeks to reflect on how the success of these athletes was appropriated by the regime’s official discourse, which, in contrast to the reality of exclusion and inequality experienced by the majority of the African population in the overseas territories, sought to project an image of racial integration and harmony within the Portuguese empire.
The result is an exhibition space divided into two distinct zones: the ‘caniço’ – the outlying neighbourhoods where Mozambicans from various parts of the country lived, alongside the local population already settled there – set against the ‘concrete city’, a cosmopolitan area designed by architects and urban planners, symbolising colonial modernity.
A contemporary exhibition, emerging in the context of the commemoration of the 60th anniversary of the legendary participation of the National Football Team in the 1966 World Cup, which, at the same time, aims to continue promoting debate around memories, identities and historical processes that continue to shape the present.
Exhibition curated by Nuno Domingos, researcher at the Institute of Social Sciences of the University of Lisbon, and Gonçalo Amaro, director of the National Museum of Ethnology.
Exposição “Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário” (30.10.2024 a 31.08.2026)
A exposição “Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário. O Colonialismo Português em África: Mitos e Realidades” estará patente ao público na maior sala de exposições temporárias do Museu Nacional de Etnologia entre 30 de outubro de 2024 e 31 de agosto de 2026.
A exposição, co-organizada pelo Museu Nacional de Etnologia (Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.) e o Centro de Estudos Sobre África e do Desenvolvimento (Instituto Superior de Economia e Gestão, UL), realiza-se no contexto da prioridade que o Museu confere ao estudo de proveniência das suas coleções extraeuropeias e da reflexão sobre o contexto colonial em que o museu foi fundado e procedeu à recolha das suas primeiras coleções, procurando o envolvimento do público e das comunidades na valorização e divulgação das suas próprias culturas.
Concebida e coordenada pela historiadora Isabel Castro Henriques, a exposição visa apresentar as linhas de força do colonialismo português em África nos séculos XIX e XX. Tem como objetivos desconstruir os mitos criados pela ideologia colonial, descolonizar os imaginários portugueses e contribuir, de forma pedagógica e acessível, para uma renovação do conhecimento sobre a questão colonial portuguesa.
Dois eixos centrais estruturam a narrativa da exposição. O primeiro eixo organiza-se em painéis temáticos, nos quais texto e imagem se articulam, pondo em evidência as linhas de força do colonialismo português dos séculos XIX e XX, e dando a palavra ao conhecimento histórico. O segundo eixo pretende “fazer falar” as obras de arte africanas, como evidências materiais do pensamento e da cultura africanas, evidenciando a complexidade organizativa dos sistemas sociais e culturais destas sociedades, permitindo mostrar a criatividade, a vitalidade, a sabedoria, a racionalidade, a diversidade identitária e as competências africanas e contribuindo para evidenciar e desconstruir a natureza falsificadora dos mitos coloniais portugueses.
Este segundo eixo da exposição é constituído por uma seleção de 139 obras, repartidas entre coleções do Museu Nacional de Etnologia, incluindo algumas peças em depósito da Fundação Calouste Gulbenkian e do colecionador Francisco Capelo, e obras de arte africana contemporânea dos artistas Lívio de Morais, Hilaire Balu Kuyangiko e Mónica de Miranda.
Realizada no âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, este projeto resulta das pesquisas desenvolvidas pela equipa de cerca de trinta investigadores que nele colaboraram, tendo igualmente contado com o indispensável contributo de muitas entidades, nacionais e estrangeiras, que cederam a profusa documentação iconográfica apresentada nos painéis explicativos em torno dos quais se desenvolve a narrativa da exposição.
A Comissão Executiva da Exposição é presidida por Isabel Castro Henriques e integrada por Inocência Mata, Joana Pereira Leite, João Moreira da Silva, Luca Fazzini e Mariana Castro Henriques, e a sua Comissão Científica, igualmente presidida por Isabel Castro Henriques, é constituída por 20 elementos, entre os quais António Pinto Ribeiro, Aurora Almada Santos, Elsa Peralta, Isabel do Carmo e José Neves.
A museografia, instalação e apresentação ao público da totalidade das obras das coleções do Museu Nacional de Etnologia foi assegurada pela própria equipa do Museu, que igualmente assegurou a produção da exposição, com a colaboração da equipa da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. O Projeto Expositivo e de Comunicação da exposição é da autoria do P 06 studio.
De entre o programa paralelo a desenvolver entre 2024 e 2025 no âmbito deste projeto, destaca-se-se a realização de exposição itinerante, de caráter exclusivamente documental, que circulará por escolas e centros culturais em Portugal, assim como em diversos espaços de língua portuguesa, em África e no Brasil. Ainda em 2024 terá início, no âmbito desse programa paralelo, o ciclo Cinema e Descolonização, com projeções de filmes relacionados com a realidade pós-colonial, a decorrer no ISEG e no Museu Nacional de Etnologia, encontrando-se prevista a realização de outras ações de caráter científico, nomeadamente Conferências e Colóquios, também em parceria com outras entidades.
A realização da exposição é acompanhada pela edição de livro homónimo, publicado pelas Edições Colibri, em cujas 344 páginas os c. de trinta investigadores que colaboraram neste projeto desenvolvem os vários temas abordados.
Exhibition ‘Deconstructing Colonialism, Decolonising the Imaginary’ | 30.10.24 until 31.08.26
The exhibition ‘Deconstructing Colonialism, Decolonising the Imaginary. Portuguese Colonialism in Africa: Myths and Realities’ will be on display to the public in the largest temporary exhibition room of the National Museum of Ethnology between 30 October 2024 and 31 august 2026.
The exhibition, co-organised by the National Museum of Ethnology (Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.) and the Centre for African and Development Studies CEsA (Instituto Superior de Economia e Gestão, UL), takes place in the context of the Museum’s priority to study the provenance of its extra-European collections and to reflect on the colonial context in which the museum was founded and its first collections were gathered, seeking to involve the public and communities in the appreciation and dissemination of their own cultures.
Conceived and coordinated by historian Isabel Castro Henriques, the exhibition aims to present the outlines of Portuguese colonialism in Africa in the 19th and 20th centuries. It aims to deconstruct the myths created by colonial ideology, decolonise Portuguese imagery and contribute, in an educational and accessible way, to a renewal of knowledge about the Portuguese colonial question.
Two central axes structure the exhibition’s narrative. The first axis is organised in thematic panels, in which text and image are articulated, highlighting the outlines of Portuguese colonialism in the 19th and 20th centuries, and giving the word to historical knowledge. The second axis aims to ‘make African works of art speak’, as material evidence of African thought and culture, highlighting the organisational complexity of the social and cultural systems of these societies, making it possible to show African creativity, vitality, wisdom, rationality, identity diversity and skills, and helping to highlight and deconstruct the falsifying nature of Portuguese colonial myths.
This second axis of the exhibition is formed by a selection of 139 works, divided between the collections of the National Museum of Ethnology, including some pieces on deposit from the Calouste Gulbenkian Foundation and the collector Francisco Capelo, and works of contemporary African art by the artists Lívio de Morais, Hilaire Balu Kuyangiko and Mónica de Miranda.
Conducted as part of the 50th anniversary celebrations of the 25 April Revolution, this project is the result of the work carried out by a team of around thirty researchers who collaborated on it, as well as the indispensable contribution of many national and foreign entities, who provided the profuse iconographic documentation presented in the explanatory panels around which the exhibition’s narrative is developed.
The exhibition’s Executive Committee is chaired by Isabel Castro Henriques and includes Inocência Mata, Joana Pereira Leite, João Moreira da Silva, Luca Fazzini and Mariana Castro Henriques, and its Scientific Committee, also chaired by Isabel Castro Henriques, is made up of 20 members, including António Pinto Ribeiro, Aurora Almada Santos, Elsa Peralta, Isabel do Carmo and José Neves.
The museography, installation and presentation to the public of all the works in the National Museum of Ethnology’s collections was carried out by the Museum’s own team, which also ensured the production of the exhibition, with the collaboration of the team from Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. The Communication and Exhibition Project was developed by P 06 studio.
The parallel programme to be developed between 2024 and 2025 as part of this project includes a travelling exhibition, exclusively for documentational purposes, which will be shown in schools and cultural centres in Portugal, as well as in various Portuguese-speaking areas in Africa and Brazil. Also in 2024, as part of this parallel programme, a film cycle entitled “Cinema and Decolonisation” will take place, with screenings of films related to the post-colonial reality, at ISEG and the National Museum of Ethnology, and other scientific activities are planned, namely Conferences and Colloquia, also in partnership with other entities.
The exhibition is accompanied by the publication of a book of the same name, published by Edições Colibri, expanding the various themes covered in the exhibition by the researchers who collaborated on the project.
EXPOSIÇÃO “um só mundo: fotografias de Derek Charlwood” (26.09.2025 a 16.03.2026)

A exposição “um só mundo” convida o público a mergulhar na singularidade da obra fotográfica de Derek Charlwood, cientista e artista que, ao longo da sua vida, uniu duas paixões aparentemente distintas: a entomologia médica e a fotografia.
Charlwood dedicou décadas da sua carreira ao estudo da ecologia dos mosquitos transmissores de malária, viajando por aldeias e regiões remotas de África, América do Sul, Oceânia e Sudeste Asiático. Mas, além da ciência, o seu olhar captou também a essência humana dos lugares por onde passou. Munido de uma câmara fotográfica, transformou o seu trabalho de campo num registo sensível da vida quotidiana das pessoas que encontrou, revelando a beleza simples e inesperada que surge quando nos dispomos a observar.
Inspirado por poetas e filósofos, como Fernando Pessoa, Charlwood reflete sobre a natureza da beleza e a sua descoberta espontânea. “Se não a procurarmos, encontramo-la”, escreve, lembrando-nos que a beleza está nos olhos de quem vê. Esta perspetiva aproxima-se também da sabedoria zen: “A vida sem um propósito perde o seu sentido.” O seu propósito científico – compreender os insetos transmissores de doenças – deu-lhe acesso a uma dimensão mais ampla: a compreensão de que, independentemente da geografia ou da condição social, partilhamos todos a mesma humanidade.
“um só mundo” é, por isso, mais do que uma exposição de fotografia documental. É um testemunho humanista que ecoa a tradição de grandes mestres da fotografia do pós-guerra, como Sebastião Salgado. Nos rostos, nas expressões e nos gestos registados por Charlwood, encontramos não apenas o rigor de um cientista que documenta, mas sobretudo a empatia de alguém que reconhece, em cada indivíduo, a dignidade universal da condição humana.
No título da exposição ressoa uma convicção fundamental: somos, de facto, um só mundo. A ciência ensinou-lhe a interdependência das espécies e dos ecossistemas; a arte mostrou-lhe a universalidade das emoções e das relações humanas. Em conjunto, estas duas dimensões constroem uma narrativa poderosa sobre unidade, respeito e partilha.
Exhibition “just one world: photographs of Derek Charlwood” (26.09.2025 | 09.03.2026)
The exhibition “just one world” invites the public to immerse themselves in the uniqueness of the photographic work of Derek Charlwood, a scientist and artist who, throughout his life, combined two seemingly distinct passions: medical entomology and photography.
Charlwood devoted decades of his career to studying the ecology of malaria-transmitting mosquitoes, travelling to remote villages and regions in Africa, South America, Oceania and Southeast Asia. But beyond science, his gaze also captured the human essence of the places he visited. Armed with a camera, he transformed his fieldwork into a sensitive record of the daily lives of the people he encountered, revealing the simple and unexpected beauty that emerges when we take the time to observe.
Inspired by poets and philosophers such as Fernando Pessoa, Charlwood reflects on the nature of beauty and its spontaneous discovery. ‘If we don’t look for it, we find it,’ he writes, reminding us that beauty is in the eye of the beholder. This perspective is also close to Zen wisdom: ‘Life without purpose loses its meaning.’ His scientific purpose – to understand disease-carrying insects – gave him access to a broader dimension: the understanding that, regardless of geography or social status, we all share the same humanity.
“just one world” is, therefore, more than just an exhibition of documentary photography. It is a humanistic testimony that echoes the tradition of great post-war masters of photography, such as Sebastião Salgado. In the faces, expressions and gestures captured by Charlwood, we find not only the rigour of a documenting scientist, but above all the empathy of someone who recognises, in each individual, the universal dignity of the human condition.
The title of the exhibition echoes a fundamental conviction: we are, in fact, just one world. Science taught him the interdependence of species and ecosystems; art showed him the universality of emotions and human relationships. Together, these two dimensions construct a powerful narrative about unity, respect and sharing.
Exposição «PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado» (11/04/2025 – 13/07/2025)
Partindo de um novo cenário para a realização de uma exposição da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, no Museu Nacional de Etnologia, procuramos a apresentação de narrativas latentes, e encetar uma reflexão sobre a política de representação e processos de sub-representação, atenta à mudança dos museus e das coleções no sentido de uma maior abertura ao diálogo crítico sobre o passado colonial. Trata-se de imaginar o que poderia ser um «pós-museu», segundo o termo de Françoise Vergès, que no seu livro Decolonizar o Museu, refere a necessidade de criar um espaço que leve em conta análises críticas sobre o museu ocidental, dito universal, que questione até a inclusividade e a diversidade da estratégia multiculturalista.
Sabemos que a construção de uma coleção envolve mecanismos de exclusão e seleção, apreciação, aquisição, incorporação de obras de arte e exercícios de representação, mas também estamos conscientes de que a nossa prática poderá desencadear investigações e exercícios de interpretação que possam contribuir para a compreensão de uma história diversificada e de um presente em evolução. De resto, são estes processos de investigação e de pesquisa que permitem produzir conhecimento e manter os museus e as coleções num estado de mudança contínua.
Esta é uma exposição caleidoscópica que explora a forma como os artistas retratam experiências singulares e coletivas da identidade cultural, a partir de múltiplas formas de representação e de vários contextos geográficos, geracionais e conceptuais, próximos ou mais distantes. Tomando como ponto de partida determinadas referências estéticas e históricas, interessa-nos perceber como os artistas têm refletido sobre a carga política e social da identidade na sociedade contemporânea, num esforço para contrariar os efeitos quer dos nacionalismos contemporâneos quer do discurso universalista abstrato.
A exposição integra obras de: Ana Silva, Ângelo de Sousa, António Olaio, Carlos Bunga, Catarina Simão, Daniel Barroca, Eugénia Mussa, Filipa César, Grada Kilomba, Gustavo Sumpta, Joaquim Rodrigo, João Pedro Vale, José de Guimarães, Luciana Fina, Manuel Santos Maia, Mónica de Miranda, Nikias Skapinakis, Pedro A.H. Paixão, Pedro Barateiro, René Tavares, Rigo 23, Vasco Araújo, William Kentridge, Yonamine.
Exhibition «POST-MUSEUM: ‘A’ of Absence. Works From the Portuguese Contemporary Art Collection»
From 11 April until 13 july 2025
Starting from a new scenario for an exhibition of the Portuguese Contemporary Art Collection at the National Museum of Ethnology, we seek to present latent narratives and to begin a reflection on the politics of representation and processes of under-representation, with an eye to the change in museums and collections towards greater openness to critical dialogue about the colonial past. It’s about imagining what a ‘post-museum’ might look like, in the words of Françoise Vergès, who in her book Decolonising the Museum refers to the need to create a space that takes into account critical analyses of the so-called universal Western museum, which even questions the inclusivity and diversity of the multiculturalist strategy.
We know that building a collection involves mechanisms of exclusion and selection, appreciation, acquisition, incorporation of works of art and exercises in representation, but we are also aware that our practice could trigger investigations and exercises in interpretation that could contribute to understanding a diverse history and a different world.
This is a kaleidoscopic exhibition that explores how artists portray singular and collective experiences of cultural identity, using multiple forms of representation and various geographical, generational and conceptual contexts, both close and more distant. Taking certain aesthetic and historical references as a starting point, we are interested in understanding how artists have reflected on the political and social burden of identity in contemporary society, in an effort to counter the effects of both contemporary nationalisms and abstract universalist discourse.
The exhibition includes works by: Ana Silva, Ângelo de Sousa, António Olaio, Carlos Bunga, Catarina Simão, Daniel Barroca, Eugénia Mussa, Filipa César, Grada Kilomba, Gustavo Sumpta, Joaquim Rodrigo, João Pedro Vale, José de Guimarães, Luciana Fina, Manuel Santos Maia, Mónica de Miranda, Nikias Skapinakis, Pedro A.H. Paixão, Pedro Barateiro, René Tavares, Rigo 23, Vasco Araújo, William Kentridge, Yonamine.
Exposição «Lekha Singh. As Mulheres Carregam o Mundo» (10/11/2023 – 27/10/2024)
A exposição Lekha Singh. As Mulheres Carregam o Mundo dá a conhecer pela primeira vez ao público nacional uma seleção de fotografias produzidas pela artista visual norte-americana Lekha-Singh, revelando-nos o seu olhar e a sua sensibilidade sobre a enorme sobrecarga física que recai ainda na atualidade sobre a mulher em inúmeros locais do planeta. E alertando-nos para o facto de que, não obstante o carácter absolutamente vital das funções que as mulheres desempenham nas esferas familiar e económica, ainda permanecem frequentemente marcadas pela falta de reconhecimento.
Mas a objetiva de Lekha Singh mostra-nos também como as capacidades físicas das mulheres, tradicionalmente valorizadas apenas pela sua dimensão reprodutora mas invisibilizadas ou secundarizadas no que respeita às atividades produtivas, constituem crescente fonte de afirmação e empoderamento em inúmeras sociedades, promovendo também crescentes roturas das barreiras de género.
São estas algumas das questões com que as mulheres que Lekha Singh fotografou na Índia, no Butão, no Japão, em Marrocos, no Quénia, no Ruanda, na Tanzânia, na Namíbia e nos Estados Unidos da América nos interpelam nesta exposição. São questões fundamentais para pensarmos o mundo e as sociedades em que vivemos, mas também para pensarmos o mundo e as sociedades que queremos construir para o futuro e o lugar que as mulheres neles devem ter.
Até ao momento, a obra fotográfica de Lekha Singh foi apresentada em mais de vinte exposições (incluindo na Smithsonian Institution e no Musée de l’Homme), integra as coleções as coleções do The Los Angeles County Museum of Art, do The International Center of Photography e do The Rubin Museum of Art, ambos em Nova Iorque, e tem sido publicada em diversas obras, com destaque para The Other Side of War, Women’s Stories of Survival & Hope. Em 2012 realizou o documentário Beyond Right and Wrong: Stories of Justice and Forgiveness, no qual aborda o papel do perdão em conflitos como os do Ruanda, da Irlanda do Norte e de Israel / Palestina.
Exposição “Empresta-me os teus olhos” (30/10/2022 – 28/05/2023)

A Exposição “Empresta-me os teus olhos!” dá a conhecer ao público a metodologia e o trabalho desenvolvido pelo Projeto TIS – Teatro de Inclusão Social, que tem como grande objetivo a promoção da inclusão de pessoas com doença mental ou em situações diversas de vulnerabilidade social, com recurso à prática artística, contribuindo para a construção de processos culturais que valorizem a dimensão criativa como fator de promoção do bem-estar e da saúde mental.
A exposição reflete em particular sobre a experiência da realização da peça de teatro “Ajuda-me a não ter medo!” – concebida a partir da obra Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, de quem este ano se assinala o centenário do nascimento –, evidenciando um processo colaborativo entre a Arte e a Saúde Mental que promove a visibilidade da doença mental nos lugares de arte e a construção de pontes entre mundos que raramente se cruzam ou dialogam.
É com a maior honra que o Museu Nacional de Etnologia acolhe a apoia a realização desta exposição, promovida pela Associação de Apoio e Segurança Psico-Social e o Teatro Umano, assim dando visibilidade ao importante projeto de inclusão social que lhe está na origem e que a exposição culmina, e que se articula de forma íntima com a vocação social do museu.
Para a participação nas atividades educativas realizadas no âmbito da exposição deverá ser contactado o serviço educativo do Museu, através do email se@mnetnologia.dgpc.pt.
Exposição “Lugares Encantados, Espaços de Património” (31/01/2020 – 31/12/2022)

A exposição “Lugares Encantados, Espaços de Património” centra-se na interrogação de processos de construção de identidades configuradas a partir da articulação entre património e religião na sociedade portuguesa contemporânea. Tal interrogação constituiu o fundamento de pesquisas de terreno desenvolvidas recentemente por uma equipa de investigadores que se debruçaram sobre os quatro estudos de caso – Fátima, Mértola, Mouraria (Lisboa) e Sintra – que a exposição dá a conhecer, revelando-nos assim outros tantos modos de recurso ao passado e afirmação de identidades, de âmbito religioso ou secular, coletivo ou institucional.
Para além da documentação fotográfica e fílmica produzida em contexto de pesquisa de terreno, assim como de documentação de arquivos diversos, a exposição integra peças das coleções do Museu de Mértola, do Museu Nacional de Arqueologia e da Parques de Sintra – Monte da Lua (Convento dos Capuchos e Palácio Nacional de Sintra), assim como peças de coleções particulares.
A exposição constitui o culminar da componente nacional do projeto HERA HERILIGION The heritagization of religion and the sacralization of heritage in contemporary Europe / A patrimonialização da religião e a sacralização do património na Europa Contemporânea. Este projeto foi desenvolvido no âmbito de um consórcio de instituições de cinco países (Dinamarca, Holanda, Polónia, Portugal e Reino Unido) e financiado no âmbito do Joint Reasearch Programme ‘Usos do Passado’ da rede HERA – Humanities in the European Research Area, do qual faz parte a Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Em Portugal, o projeto encontra-se sediado no Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, constituindo-se o Centro em Rede de Investigação em Antropologia como instituição participante. O Museu Nacional de Etnologia acolhe a exposição na qualidade de parceiro associado, desde 2016, do projeto de investigação.
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Exhibition “Enchanted Places, Heritage Spaces” | 31st of January 2020 to the 31st of December 2022
The exhibition “Enchanted Places, Heritage Spaces” is centred on the questioning of processes of identity construction shaped from the articulation between heritage and religion in contemporary Portuguese society. That questioning has been the foundation for recent field research conducted by a team that looked into the four case studies that the exhibition reveals – Fátima, Mértola, Mouraria (Lisbon) and Sintra –, and that show us as many ways of using the past and affirming identity, in the religious or secular, colective or institutional context.
Other than photo and film documentation produced in the context of field research, and documentation from diverse archives, the exhibition presents items from the collections of the Mértola Museum, the National Museum of Archaeology, and the Parques de Sintra-Monte da Lua (Convent of the Capuchos and National Palace of Sintra), as well as items from private collections.
This exhibition is the final output of the national component of the project HERA HERILIGION The heritagization of religion and the sacralization of heritage in contemporary Europe. This project was developed by a consortium of institutions from five countries (Denmark, Netherlands, Poland, Portugal and United Kingdom) and funded within the framework of the Joint Reasearch Programme ‘Uses of the Past’ of the HERA – Humanities in the European Research Area network, of which the Portuguese Foundation for Science and Technology (FCT) is a member. In Portugal, the project is based at the Centre for Comparative Studies of the School of Arts and Humanities, University of Lisbon (CEC-FLUL), and at the Center for Research in Anthropology (CRIA). The National Museum of Ethnology has hosted the exhibition as an associated partner since 2016 in the research project.
Exposição “Vergílio Pereira: Itinerários de um Etnógrafo” (06/12/2019 – 10/10/2021)

Esta exposição deu a conhecer a vida e obra de Vergílio Pereira a partir do estudo e preservação digital do seu arquivo pessoal. Doado ao Estado pelos seus herdeiros, este arquivo foi transferido para o Museu Nacional de Etnologia em 1992, tendo em vista complementar outros importantes arquivos de música popular portuguesa de que o Museu já dispunha anteriormente, constituídos por Ernesto Veiga de Oliveira e por Michel Giacometti.
Da diversidade de documentação que configura este arquivo pessoal, são precisamente os registos sonoros que assumem especial relevo, não apenas pelo quantitativo destes, mas pelo facto de as suas cópias das gravações realizadas no âmbito da colaboração com a Junta de Província do Douro Litoral consistirem, provavelmente, nos únicos registos sobreviventes dessas recolhas.
A importância desses registos sonoros apenas pode ser compreendida, porém, no contexto do seu arquivo etnográfico globalmente considerado. É no cruzamento de toda essa documentação que, para além das vozes e das melodias, que Vergílio Pereira registava em fita magnética e posteriormente transcrevia para partitura, podemos identificar os intérpretes, de que anotava o nome, a alcunha, a idade e competência musical nos seus cadernos de campo, em conjunto com o lugar e data de cada gravação. São também os seus rostos que se encontram documentados nas imagens que realizava sistematicamente em cada recolha, assim como os instrumentos musicais utilizados, cuja sonoridade particular se encontra registada nas suas gravações.
Dada a relevância de todos estes registos, que nos permitem restituir o todo da realidade das expressões musicais que Vergílio Pereira documentou ao longo de mais de quinze anos, constituiu componente central desta exposição a digitalização do seu arquivo pessoal, tendo este projeto sido desenvolvido pelo Museu no âmbito do Programa para preservação digital e publicação em linha dos seus vários fundos arquivísticos iniciado em 2015.
Realizada pelo Museu entre 2016 e 2019, a digitalização deste arquivo contou com a inestimável colaboração da Universidade de Aveiro, dando assim sequência ao próprio projeto de estudo e inventário do mesmo desenvolvido por Maria do Rosário Pestana, docente nesta universidade, no âmbito da sua investigação sobre a obra de Vergílio Pereira.
Exhibition Vergílio Pereira: Itineraries of an Etnographer
This exhibition addresses the life and work of Vergílio Pereira based upon the study, research and digital preservation of his personal archive. Donated to the State by its heirs, this archive was incorporated into the National Museum of Ethnology in 1992, with the purpose of complementing other important museum’ sound archives on Portuguese popular music, such as the ones of Ernesto Veiga de Oliveira and Michel Giacometti.
Exhibition Texts and Captions | PDF
Exposição “A/A8 oito artistas oito olhares oito percursos” (05/06/2019 – 23/06/2019)

Entre 5 e 23 de junho de 2019 encontrou-se patente ao público no Museu Nacional de Etnologia a exposição A/A8 oito artistas oito olhares oito percursos, organizada pela Associação Portuguesa de Antropologia no âmbito do seu VII Congresso. Aos artistas convidados pela APA foram solicitados projetos que estabeleçam relação nos seus conteúdos, métodos, linguagens ou inspirações com a antropologia como disciplina ou com a etnografia como método de pesquisa.
Mais informações em http://apa2019.apantropologia.org/wp-content/uploads/2019/05/mostra-arte-print-3.pdf
Exposição “Fêmea. Uma história ilustrada das mulheres” (08/03/2019 – 05/05/2019)

Inaugurada a 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a exposição Fêmea. Uma história ilustrada das mulheres consiste, em conjunto com a edição homónima da autoria da socióloga Inês Brasão e da designer gráfica Ana Biscaia, num convite à reflexão não apenas sobre importantes importantes marcos da evolução do estatuto da mulher no seio da sociedade ocidental no decurso das últimas décadas, mas também sobre alguns estereótipos da sua imagem que, não obstante aquele percurso, teimam em persistir. Organizada pela Editora Santillana e pelo Jornal Público, é constituída pelo conjunto de ilustrações publicadas naquele livro, que nos interpelam para as fundamentais clivagens de género que ainda persistem na atualidade.
Exposição “Estudos do Labirinto” (18/05/2018 – 16/09/2018)

Estudos do Labirinto constitui um projeto expositivo em rede, desenvolvido a partir do encontro entre a arte contemporânea e espaços de naturezas distintas na área de Belém: o Museu Nacional de Etnologia, o Jardim Botânico Tropical, o Museu de Marinha e o Planetário Calouste Gulbenkian.
Concebido pela curadora Cláudia Ramos o projeto inspira-se na investigação homónima de Károly Kerényi sobre o labyrinthos e, tal como o simbolismo que este imediatamente evidencia, pretende evocar as muitas possibilidades e os múltiplos percursos de que resulta o exercício do processo artístico.
À semelhança do ocorrido nas restantes entidades parceiras neste projeto, também as residências desenvolvidas no Museu Nacional de Etnologia estiveram a cargo de dois artistas, concretamente Francisco Tropa e Teresa Carepo. O momento expositivo aqui apresentado resulta dos seus processos criativos, confrontando-se e interpelando-nos.
Em conjunto com as restantes criações suscitadas pelo projeto Estudos do Labirinto, as obras de Francisco Tropa e Teresa Carepo constituem também matéria para reflexão no programa paralelo Materiais dos Estudos do Labirinto que, através de atividades como conferências, ciclos de filmes ou oficinas, acompanhará esta exposição em rede até setembro de 2018.
Museu Nacional de Etnologia | Francisco Tropa e Teresa Carepo
Jardim Botânico Tropical | Armanda Duarte e Nuno Vivente
Museu de Marinha | Ana Santos e Belén Uriel
Planetário Calouste Gulbenkian | João Maria Gusmão e Pedro Paiva
«De Regresso à Luz: Esculturas orientais em depósito da Coleção de Victor Bandeira» (13/10/2017 – 30/04/2018)

«De Regresso à Luz. Esculturas orientais em depósito da Coleção de Victor Bandeira»
A exposição “De Regresso à Luz” dá a conhecer, pela primeira vez, um conjunto de sete esculturas de carácter religioso provenientes de Myanmar, Tailândia, Japão e Sri Lanka, que, tendo sido adquiridas por Victor Bandeira com vista a integrar as coleções asiáticas do Museu Nacional de Etnologia, aqui têm permanecido depositadas desde 1975, na expectativa de uma incorporação ainda não concretizada.
Regressadas à luz após quatro décadas, e sujeitas agora a modos de contemplação jamais imaginados quando da sua produção, estas imagens convidam a que nos demoremos na excelência da sua materialidade, como ponto de partida para os sistemas de crenças religiosas para que nos remetem, maioritariamente o Budismo.
Mas estas esculturas – que se incluem entre os mais de cinco mil objetos que Victor Bandeira recolheu em África, na Amazónia, na Ásia e também em Portugal com destino às coleções do Museu, entre as décadas de 1960 e 1970 – convidam-nos também a descobrir a importância do lugar crucial que este colecionador ocupa na história do Museu.
Assim, a exposição constitui, por um lado, um gesto de agradecimento e de reconhecimento público a Victor Bandeira pela sua inegável dedicação e generosidade para com o Museu ao longo de décadas, sendo igualmente expectativa que a sua realização possa despertar a atenção para a importância da aquisição destas esculturas e o seu ingresso de pleno direito nas mais relevantes coleções etnográficas a nível nacional.
«Arquitetura Timorense: Miniaturas do Mundo» (23/09/2016 – 09/07/2017)

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Um livro, uma Exposição
Esta exposição constitui uma homenagem à investigação de Ruy Cinatti (1915-1986), Leopoldo Castro de Almeida (1932-1996) e António de Sousa Mendes (*1921) sobre os sistemas de construção tradicionais de Timor-Leste, de que resultou a obra Arquitetura Timorense, agora reeditada pelo Museu Nacional de Etnologia em parceria com o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, IP.
Tomando por referência os sete tipos de habitação tradicional que aquela equipa considerou como emblemáticos de outras tantas áreas de distribuição, a exposição apresenta uma seleção de objetos de diversas coleções do Museu relativas a Timor-Leste, de que se destaca o conjunto de elementos arquitetónicos recolhidos por Ruy Cinatti.
Tem igual destaque aqui o conjunto de maquetes de habitações e construções de uso ritual da autoria de Pedro Tolentino, com a colaboração de João Tolentino, que constituem reproduções à escala de alguns dos modelos de construções documentadas pela belíssima fotografia e pelo desenho, rigoroso mas quente, publicados naquele livro.
Evidenciando a grande diversidade de técnicas construtivas em Timor-Leste, a exposição remete-nos também para o complexo simbolismo de que se reveste a habitação timorense, quer como expressão da organização social, quer como microcosmos e reflexo da conceção do universo e das relações do Homem com o Sagrado.

Bobonaro
Nesta região montanhosa predomina o povoamento disperso e os aldeamentos de 6 a 20 casas, edificados em zonas de difícil acesso. A habitação é de planta retangular, assente em numerosos prumos, tendo c. de 11m de comprimento por 7m de largura.
A sua cobertura é suportada por dois grandes pilares – o «pilar da terra» e o «pilar do mar fundo» –, a que se atribuem propriedades sagradas e que compartimentam três espaços fundamentais da casa. São estes a varanda de entrada, uma grande sala central, de pavimento sobrelevado em relação às restantes divisões, e uma eventual segunda varanda, caso a dimensão do agregado familiar o exija.
A maior ou menor sofisticação do remate da cobertura distingue nesta região os dois principais tipos de casas, correspondentes a distintos estatutos sociais: a uma-kakaduk, com remate mais complexo, associada ao estrato social superior, e a uma-rabi, com remate mais simples, utilizada pelas famílias comuns.

Maubisse
Nesta área do centro-oeste, o povoamento é constituído por pequenos núcleos compostos de duas a quatro habitações, e respetivas dependências, que se distribuem irregularmente desde o topo das montanhas aos vales mais ensombrados.
A habitação tradicional mambai caracteriza-se pela sua cobertura elíptica ou semi-piramidal, com inclinação acentuada, que desce abaixo do pavimento sobrelevado, com vista a proteger o interior dos ventos frios das montanhas e impedindo a sua visibilidade a partir do exterior.
A casa organiza-se num único compartimento, no qual se dorme, cozinha e consomem as refeições. Sobre esse compartimento distribuem-se diversos tabuados, utilizados para armazenamento de roupas, géneros alimentares e utensílios diversos.

Baucau
Tendo a aparência de uma construção de piso térreo, o que se deve à parede de palapa, revestimento vegetal que envolve todo o seu perímetro, a habitação tradicional da área de Baucau desenvolve-se, de facto, em três planos de pavimento. Estes são sobrelevados respetivamente a 0,8m, a 1m e a 2m de altura, utilizando-se ainda o sótão para armazenamento de géneros e objetos diversos, incluindo os sagrados ou lulic.
A estrutura da casa é definida por dois conjuntos de pilares: oito, na periferia, que conferem à construção a planta octogonal visível do exterior; quatro, no interior, que organizam os dois pisos superiores e suportam as paredes destes. Este tipo de casa caracteriza-se ainda pelo revestimento da sua cobertura, denso e espesso, cujos c. de 50 cm constituem um forro protetor da chuva e do calor.
A construção deste tipo de habitação desenvolve-se ao longo de 3 a 4 meses, sendo concluída por um ritual que assegura a transferência das almas dos antepassados do antigo para o novo lar.

Lautém
Na região de Lautém, no extremo oriental de Timor-Leste, predomina o povoamento concentrado, em aldeamentos de 40 a 50 casas cada. A casa emblemática desta região caracteriza-se pela sua alta cobertura de quatro águas, quase piramidal e inclinação muito acentuada, elevando-se por vezes a 12m do solo.
Nas casas dos chefes, o remate da cobertura é profusamente decorado por cones ornamentais de gamúti, traves esculpidas, cordões de búzios e outros símbolos de poder. O pavimento, elevado a 3m do chão, assenta num complexo sistema de vigamento, por seu turno suportado em apenas quatro pilares. As paredes exteriores são constituídas por painéis de madeira profusamente insculpidos e pintados com motivos diversos.
Tal como se lhe refere a obra Arquitetura Timorense, «É, sem dúvida, a casa […] que mais surpreende em todo o Timor [e na qual] o sentido arquitetónico ultrapassa de longe o seu imediato utilitarismo».

Viqueque
Na área de Viqueque, em que predomina a língua tétum, o povoamento é disperso e cada núcleo habitacional, pertencente a um mesmo grupo familiar, é constituído por duas a dez casas, organizadas em torno de uma clareira aberta na floresta.
A habitação de Viqueque distingue-se dos restantes tipos de arquitetura vernacular de Timor-Leste, em particular pela grande área que ocupa (c. de 15m de comprimento por 7m de largura) e pela sua cobertura de três águas, a menor das quais situadas sobre a entrada principal.
A estrutura que suporta o pavimento é independente da que sustenta a cobertura. Internamente subdivide-se em três compartimentos – o quarto das mulheres, o quarto dos homens e a cozinha –, sobre os quais se localizam espaços de arrecadação.

Suai
A área de Suai caracteriza-se pelo povoamento concentrado, distribuindo-se as casas por espaços amplos e delimitados por sebes. A habitação, assente em estacaria, é de planta quadrangular e tem cobertura de quatro águas, que se prolonga em relação ao núcleo central da casa, até c. de 2 m do solo, protegendo as varandas laterais.
O pavimento desenvolve-se em três planos, sobrelevados respetivamente a 0,8m, a 1m e a 1,5m de altura. A plataforma intermédia reparte-se em três varandas cobertas, protegidas do sol e do acesso exterior por esteiras, como a que se apresenta na entrada desta exposição.
O compartimento mais elevado, o único com paredes, constitui o coração da casa, no qual se cozinha e dormem os donos e os mais velhos. Suspensas de traves do teto, sobrepõem-se neste espaço largas prateleiras, para armazenamento de géneros alimentícios e utensílios de cozinha.

Oecussi
No enclave de Oecussi, localizado na costa norte da parte ocidental da ilha de Timor, distinguem-se dois tipos de habitações tradicionais. O interior montanhoso, de povoamento disperso, caracteriza-se pelas casas cónicas, de piso térreo, que a obra Arquitetura Timorense considera como «as mais primitivas em todo o Timor».
Contudo, nas planícies do litoral, de povoamento concentrado, ocorre um tipo de habitação desenvolvida por influência dos povos de língua tétum, e com «flagrante parentesco» com a arquitetura vernacular das áreas de Viqueque e de Suai.
Trata-se esta de uma casa de planta quadrangular (c. de 10m x 7m), assente sobre pilares, com cobertura espessa (50 cm ou mais) de quatro águas, em cujo interior se organizam três zonas distintas: uma varanda, profunda e que ocupa toda a largura da casa, e duas divisões com paredes. Esta casa singulariza-se ainda pelas suas paredes externas, duplas, resultantes da aplicação de diferentes técnicas a dois tipos de materiais vegetais.

«WORLD PRESS PHOTO» (28/04/2017 – 21/05/2017)

A Exposição WORLD PRESS PHOTO 2017 encontra-se patente ao público no Museu Nacional de Etnologia entre os dias 28 de abril e 21 de maio de 2017.
A edição de 2017 da Exposição apresenta ao público as imagens vencedoras do 60.º concurso anual da World Press Photo, selecionadas a partir de um total de 80.408 imagens produzidas por 5.034 fotógrafos de 126 países.
Referência mundial do fotojornalismo, a Exposição dá a conhecer ao público, através das imagens premiadas pela World Press Photo, algumas das questões cruciais com as quais povos e sociedades de todo o mundo se defrontam na atualidade e que, em muitos casos, se repercutem além das suas fronteiras e mesmo à escala global.
A Exposição é organizada pela World Press Photo Foundation, uma organização sem fins lucrativos fundada em 1955, e, à semelhança das edições anteriores, a sua realização é assegurada pela Revista Visão e pela SIC Notícias.
«Inquéritos ao Território: Paisagem e Povoamento» (15/04/2016 – 16/10/2016)

«Inquéritos ao Território: Paisagem e Povoamento é uma exposição que coloca em diálogo múltiplos olhares e perspetivas sobre Portugal desde finais do século XIX até à atualidade. Por um lado, os olhares que, em particular nos domínios da Etnologia, da Arquitetura e da Geografia, promoveram a descoberta e o conhecimento sistemático do território e da sua diversidade cultural. Por outro, os olhares de um variado conjunto de artistas que, com recurso à fotografia, e em alguns casos ao filme, tomam o território e a paisagem como objeto da sua produção ou intervenção desde as últimas décadas.
Na exposição é apresentada ao público uma seleção de objetos das coleções do Museu Nacional de Etnologia, colocados em diálogo com os diversos olhares, artísticos ou científicos, que estruturam a narrativa expositiva, sendo dado especial destaque à ilustração da intensa atividade e produção científica da equipa de Jorge Dias, que está na origem da fundação do próprio Museu.
A exposição resulta de uma parceria estabelecida entre o Museu Nacional de Etnologia e o Centro Internacional das Artes José de Guimarães, com curadoria de Nuno Faria, e constitui uma segunda versão da exposição inicialmente apresentada em Guimarães.
Expedição Científica à Serra da Estrela (1881), Orlando Ribeiro, Inquérito à Arquitetura Regional (1955-1957), levantamentos realizados no âmbito do Centro de Estudos de Etnologia (Jorge Dias, Margot Dias, Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira), Alberto Carneiro, Luís Pavão, Duarte Belo, Álvaro Domingues, Nuno Cera e Diogo Lopes, Paulo Catrica, Valter Vinagre, André Príncipe, Pedro Tropa, Daniel Blaufuks, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Álvaro Teixeira, Jorge Graça, Eduardo Brito, Duas Linhas (Pedro Campos Costa e Nuno Louro) e Sete Círculos (Pedro Campos Costa e Eduardo Costa Pinto), Carlos Alberto Augusto.»
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Surveys in the Territory: landscape and settlement
National Museum of Ethnology, Lisbon, April 15 to October 16, 2016
“Surveys in the Territory: landscape and settlement” is an exhibition which places in dialogue multiple views and approaches on Portugal from the end of the 19th century until present day. On the one hand, the views from which, mainly in the field of Cultural Anthropology, Architecture and Geography, resulted the discovery and the systematic knowledge of the territory and its cultural diversity. On the other hand, the views of a variety of artists that, using photography, and in some cases film, have addressed the territory and the landscape as an object of their production or intervention for the last decades.
The exhibition presents a selection of objects of the collections of the National Museum of Ethnology, placed in dialogue with the several views, of artistic or scientifical scope, which structure the exhibition narrative. These objects also highlight the intense activity and scientifical production of Jorge Dias’ team, which stands in the origin of the foundation of the Museum itself.
The exhibition is the result of a partnership between the National Museum of Ethnology and the José de Guimarães International Arts Centre, with the curatorship of Nuno Faria, and is a second version of the exhibition initially presented in Guimarães.
Scientific Expedition to Serra da Estrela (1881), Orlando Ribeiro, Survey of Regional Architecture (1955-1957), surveys conducted in the framework of the Ethnology Studies Center (Jorge Dias, Margot Dias, Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano and Benjamim Pereira), Alberto Carneiro, Luís Pavão, Duarte Belo, Álvaro Domingues, Nuno Cera e Diogo Lopes, Paulo Catrica, Valter Vinagre, André Príncipe, Pedro Tropa, Daniel Blaufuks, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Álvaro Teixeira, Jorge Graça, Eduardo Brito, Two lines (Pedro Campos Costa e Nuno Louro) and Seven Circles (Pedro Campos Costa e Eduardo Costa Pinto), Carlos Alberto Augusto.»
«10 anos depois: objectos de outros lugares» (12/11/2014 – 31/05/2016)
Francisco Capelo reincidiu com nova doação ao Museu Nacional de Etnologia e nós, com ele, na aceitação e no agradecimento. Diferentemente do universo bem delimitado, de exata localização, das máscaras e marionetas do Mali, que antes doara ao museu, são agora objetos de origens e sentidos muito diversos. Não conhecemos, para cada um deles, a situação concreta do seu uso, a parcela de vida social percebida nos locais onde foram produzidos e onde são protagonistas e operadores de relações. Não resultaram, pois, de um contexto de investigação, surpreendidos e documentados na sua eficácia prática e simbólica. Esta deslocou–se para o plano da paixão que move o colecionador e os destaca pela sua beleza e excelência técnica e formal, singularidade, valor icónico.
Mas, é também pela sua diversidade e pelas culturas que permitem representar, que eles logo suscitam diálogos com outros existentes no museu, seja enquanto novas ilustrações para questões já antes formuladas, seja pelo que, de novo, passa a poder ser conhecido e mostrado, ou pelo modo como as coleções do museu vão sendo pensadas e o próprio museu como casa de acolhimento de objetos e da sua interrogação e comunicação.
Vêm de países de África e do Sudeste Asiático: Nigéria, Camarões, Gana, Mali, Myanmar, Tailândia, Laos, Cambodja, Vietnam.
A proximidade e permanente troca de informações com Francisco Capelo revelaram sempre, tanto a paixão dos objetos por parte de um colecionador que procura documentá-los para o seu melhor conhecimento, como o próprio prazer, empenhamento e confiança postos no ato da sua doação.
“Artes de Pesca. Pescadores, normas, objetos instáveis” (03/04/2014 – 14/02/2016)
Exposição que resulta de uma investigação conduzida no terreno, a partir de 2004, em estreita relação com um grande número de pescadores, de muitos locais da costa, associações e instituições que intervêm no domínio das pescas. Dela resultou a constituição de uma coleção de artes de pesca que agora é posta em articulação com a coleção dos anos 1960, já existente no museu. Muitas foram oferecidas pelos pescadores, nossos interlocutores. Outras, resultaram de acordos de colaboração com as várias capitanias marítimas, o que permitiu transferir para o museu artes e instrumentos de navegação apreendidos porque considerados em situação ilegal. A documentação produzida ao longo dos anos de pesquisa dá conta dos discursos dos pescadores sobre as normas que condicionam a sua atividade e se refletem na própria materialidade dos objetos, sua definição e instabilidade: permitidos ou não conforme o momento do ano, os locais, as leis que se foram sucedendo e até a compreensão e avaliação casuística. A recolha procurou preencher a maior diversidade de artefatos e tipos de materiais, técnicas, processos e funcionalidades, sobre a qual elaborar um sistema classificatório de referência para o seu inventário nos museus. O fio condutor da exposição é, por isso, também uma proposta de classificação para as artes de pesca, tomando em conta outras já produzidas por diferentes autores e instituições. A humanidade das práticas de pescas e a compreensão dos seus contextos sociais e organização do trabalho estão expressas nas filmagens feitas durante os anos de pesquisa, observação e constituição da coleção e nas imagens dos pescadores que no início do século XX passaram a ter a sua fotografia nos registos de inscrição marítima e agora habitam a exposição.






