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O encontro de Bárbara Assis Pacheco com as Galerias da Amazónia
Finda a exposição Desenhar para Ver: o encontro de Bárbara Assis Pacheco com as Galerias da Amazónia (17 de Setembro de 2009 a 21 de Março de 2010), nove dos desenhos apresentados, incluindo o que lhe servia de cartaz, foram doados ao MNE pela autora.
São alguns exemplos de mais de uma centena de desenhos produzidos com base num conjunto de objectos escolhidos por Bárbara Assis Pacheco que se encontram expostos nesse sector de reserva do museu. Nas suas palavras:
“Quando visitei a reserva da Amazónia fiquei deslumbrada. São peças e mais peças, lindíssimas, e ao mesmo tempo com uma ponta de bizarro que me atraiu logo, feitas com penas às cores, dentes, ossos e carapaças, garras de animais, missangas, entrançados, fibras de palmeiras, barro, etc., e apeteceu-me logo desenhá-las, assim, impulsiva e ingenuamente.”
(Desenhar para Ver: o encontro de Bárbara Assis Pacheco com as Galerias da Amazónia. Lisboa: Museu Nacional de Etnologia. 2009: 6.)
O seu trabalho decorreu entre os meses de Novembro de 2007 e Janeiro de 2008, resultando esta experiência num ensaio de olhar para os objectos, um meio, entre outros, de os ver. E também por isso alguns destes desenhos passaram a integrar as colecções do museu.
Encerramento da exposição temporária Desenhar para ver

Esta exposição, patente desde o dia 17 de Setembro de 2009, é o resultado de um exercício de aproximação e entendimento dos objectos que solicitaram o olhar de Bárbara Assis Pacheco, ao longo de três meses de um projecto que desenvolveu no Museu Nacional de Etnologia. O encantamento trazido pelas matérias, formas, texturas, cores, no espaço das Galerias da Amazónia, está na origem deste ensaio do olhar traduzido em folhas de todo o tipo de papel, das mais variadas dimensões. A própria diversidade das superfícies desenhadas e pintadas faz-nos deambular por um universo fragmentado, de procura, num registo que se acerca delicadamente dos objectos e os desvenda. A mão suspende-se quando eles se defendem na sua exigente complexidade. Mas também é esta que conduz a modos de olhar que são outras maneiras para a compreensão daqueles mesmos objectos. Para o Museu, estes contributos são de um acentuado relevo, pois com eles se acrescentam aos critérios mais técnicos do desenho e do registo etnográfico, a sensibilidade e a emoção do traço, do esboço, da mancha de cor, que trazem para junto de nós o calor de um conhecimento. Esta foi também uma exposição com propósito didáctico e de reflexão sobre o exercício do olhar e da interrogação dos objectos, e das metodologias com que nos museus lidamos com eles. Sem retirar autonomia à proposta plástica que a autora nos trouxe com os seus trabalhos.
