As Reservas do MNE – Parte 3

A maior área de reserva do Museu, hoje designada informalmente como Reservas Internacionais, era onde se encontrava a totalidade do acervo na altura da sua abertura ao público. À medida que se foram constituindo novas reservas as colecções foram sendo distribuídas por esses espaços e nas Reservas Internacionais encontram-se, actualmente, colecções provenientes de África, Portugal e Ásia.

Nesta área estão cerca de 24.615 objectos (12.450 objectos africanos, 6.674 objectos portugueses, 4.022 objectos asiáticos e 1.469 têxteis de diversas proveniências). Os sistemas expositivos e as vitrinas são as que foram planeadas pela equipa inicial do Museu.

Esta área é extremamente vasta, quando comparado o número de objectos que alberga com o das outras áreas, e de gestão mais complexa, continuando-se o Museu a reger pelas normas estipuladas no seu plano de conservação preventiva.

Para além das monitorizações ao estado de conservação dos objectos e sistemas expositivos, várias acções e campanhas sistemáticas aqui têm sido desenvolvidas. A primeira, uma campanha de limpeza, iniciada logo após os trabalhos de ampliação e beneficiação do edifício e terminada em 2004, permitiu o conhecimento concreto do estado de conservação de cada objecto individualmente, o que por sua vez levou às primeiras reflexões sobre a gestão do acervo pela actual equipa do Museu. Daqui surgiu a definição das primeiras prioridades de actuação bem como de normas e procedimentos de trabalho que a Área de Conservação e Restauro segue.

Nesta área foram iniciadas, e são continuadas actualmente, várias campanhas que visam a melhoria das condições de reserva (limpeza, tratamentos, realização ou melhoria de suportes…).

As Reservas Internacionais não estão abertas ao público mas excepcionalmente podem ser visitadas por investigadores externos e estudantes de antropologia, museologia ou conservação e restauro. Estas visitas são alvo de regulamentos específicos

A mais recente área de reserva do Museu, designada provisoriamente como Reservas Novas, encontra-se actualmente numa fase de instalação de colecções, onde se inclui parte do acervo proveniente do Museu de Arte Popular que foi passado para o MNE em 2007. Aqui estão em reserva cerca de 5000 objectos. Esta área também está incluída nas acções de gestão e manutenção do acervo previstas no Plano de Conservação Preventiva.

Vista de uma das vitrinas das Reservas Internacionais quando foram retirados os objectos durante a campanha de limpeza

Vista geral de vitrinas das Reservas Novas

As Reservas do MNE – Parte 2

Localizadas na parte nova do edifício, as Galerias da Amazónia são, desde 2006, uma reserva visitável onde se encontram objectos provenientes da Amazónia.

Nesta área estão cerca de 1800 objectos em vitrinas havendo apenas 6 objectos fora de vitrina e colocados sobre estrados.

Também nesta área a gestão das colecções respeita os princípios de conservação preventiva definidos pelo Museu, que orientam as acções tendo objectivos bem definidos.

No caso concreto desta reserva, cuja instalação é relativamente recente, foram equacionadas questões que não o tinham sido quando se procedeu à montagem das Galerias da Vida Rural. Podemos observar que os sistemas expositivos escolhidos são tão variáveis como nas Galerias da Vida Rural (objectos suspenso ou objectos em estrados, por exemplo) mas aqui estão mais protegidos de riscos como o vandalismo porque apenas 0,3% da colecção se encontra fora de vitrina. No entanto, as vitrinas são muito diferentes das utilizadas nas Galerias da Vida Rural e a sua maior complexidade acarreta riscos próprios.

Nesta área é realizada uma monitorização regular ao estado de conservação dos objectos e ao equipamento expositivo. Não são realizadas campanhas sistemáticas pois todos os objectos que se encontravam em mau estado de conservação foram alvo de tratamentos antes da sua colocação em reserva.

Vista geral das Galerias da Amazónia antes da colocação dos objectos em reserva.

Vista geral de quatro máscaras Wauja de grandes dimensões sobre estrado

As Reservas do MNE – Parte 1

Com excepção dos objectos em exposições, em tratamentos de conservação e restauro ou em empréstimos, todo o acervo do Museu se encontra nas suas áreas de reserva.

O trabalho realizado nestas áreas implica uma caracterização muito pormenorizada (do edifício, das condições de ambiente, das colecções e das actividades que aí decorrem) de forma a ser possível a análise de riscos.

Caracterizando potenciais riscos o Museu pode definir objectivos, metodologias de trabalho e prioridades de actuação que permitam assegurar as melhores condições de conservação para o seu acervo.

As Galerias da Vida Rural foram a primeira área de reserva a ser aberta ao público regularmente. Desde 2000 que é possível visitar esta reserva em grupos pequenos e acompanhados.

Nesta área estão cerca de 4.000 objectos representativos da sociedade rural portuguesa. São vários os sistemas expositivos utilizados: os objectos apresentam-se sobre um estrado ou em vitrina (90%), fora de vitrinas (10%) ou directamente no solo (1,4%). Há ainda, fora ou dentro de vitrinas, objectos suspensos (12%).

A gestão das colecções que se encontram neste espaço respeita os princípios de conservação preventiva definidos pelo Museu, que orientam as acções tendo objectivos bem definidos. Destas acções, e no caso concreto desta área de reserva, são importantes a campanha sistemática de limpeza e tratamentos e a monitorização periódica do estado de conservação dos objectos e dos sistemas expositivos, com particular atenção à análise de riscos pois 12% do acervo encontra-se suspenso e 10% encontra-se fora de vitrinas.

Estes são dois exemplos onde os riscos relacionados com a acção de forças físicas directas (no caso dos objectos suspensos) e com o vandalismo (no caso de objectos fora de vitrina) são acrescidos e onde é necessária uma actuação constante, sobretudo tendo em conta a presença de público.

Vistas gerais de objectos dentro e fora de vitrinas

Candidaturas a Trabalhos de Verão 2009

O projecto Trabalhos de Verão é um complemento de formação em contexto de trabalho real e em regime de voluntariado que decorre no Museu Nacional de Etnologia.

Avisam-se os alunos inscritos em cursos superiores de Conservação e Restauro que estão abertas candidaturas para participação neste projecto que, em 2009, inclui tarefas relacionadas com a conservação preventiva, melhoria de condições de reserva e a realização de tratamentos de conservação em objectos do acervo do Museu Nacional de Etnologia e do Museu de Arte Popular.

O trabalho decorrerá de 3 Agosto a 4 de Setembro de 2009 no horário de funcionamento do Museu.

Os voluntários receberão a formação necessária e serão acompanhados por profissionais do Museu.

Os interessados deverão submeter as suas candidaturas até ao fim de Junho de 2009. A selecção será feita por entrevista.

Contactar:
Joana Amaral ou Cláudia Duarte
Museu Nacional de Etnologia
Av. Ilha da Madeira
1400 – 203 Lisboa
tel: 213 041 160
fax: 213 013 994
mnetnologia@ipmuseus.pt (assunto: Trabalhos de Verão)

Área de Conservação e Restauro: Estágio 2009

Integrado no Proyeto Argo da Fundación para el fomento en Astúrias de la Investigación Científica Aplicada y la Tecnologia, o estágio de Roser Casellas Ribas na Área de Conservação e Restauro do MNE terminou a 29 de Maio de 2009.

Com uma duração de cerca de sete meses e meio este estágio, que se iniciou a 13 de Outubro de 2008, teve desenvolvimento em vários campos de actuação assegurados pela Área de Conservação e Restauro. Para além do aspecto formativo, característica de qualquer estágio deste sector do Museu, que focou aspectos relacionados com a gestão do acervo do ponto de vista da Área de Conservação e Restauro, Roser desenvolveu projectos relacionados com as exposições Exercício de inventário: a propósito de duas doações de olaria portuguesa e Aromas de urze e de lama. Desenhos de Ruth Rosengarten para o livro de João Pina Cabral, onde fez parte da equipa de montagem e assegurou todas as monitorizações e acções de manutenção necessárias.

Foi responsável pelo tratamento de limpeza em 251 objectos das Galerias da Vida Rural e pelo tratamento de 25 objectos noutros contextos que prevêem acções de melhoria do estado de conservação dos objectos. No apoio dado ao estudo de colecções foi responsável pelo tratamento a 6 pulseiras de Timor e nas campanhas de melhoria de condições de reserva procedeu à reinstalação de um vasto conjunto de pulseiras e de um conjunto de máscaras de Angola das quais 6 necessitaram de tratamento de conservação. No âmbito da preparação para o empréstimo de objectos para a exposição Cortejo triunfal com girafas: animais exóticos ao serviço do poder (patente no Museu de Artes Decorativas Portuguesas da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva de 4 de Junho a 28 de Agosto de 2009), foi responsável pelo tratamento de uma pulseira da Costa do Marfim. Este tratamento teve o apoio do Museu Nacional de Arqueologia, onde foi realizado sob orientação de Matthias Tissot.

Em conjunto com Cláudia Duarte coordenou duas oficinas sobre restauro de cerâmica integradas nas comemorações do Dia Internacional dos Museus. Este estágio permitiu a Roser Casellas Ribas obter uma formação mais sólida em conservação e restauro ao desenvolver aspectos relacionados com a gestão do acervo muito apoiados no Plano de conservação preventiva e na interdisciplinaridade.