Apresentação do Livro “Cangamba e Praia do Bebé, dois casos de olaria angolana”
Auditório do Museu Nacional de Etnologia
3 de outubro, 17h00
Na próxima 5ª feira, 3 de outubro, o Museu Nacional de Etnologia será palco da apresentação do livro “Cangamba e Praia do Bebé, dois casos de olaria angolana”, da autoria de Adélio Macedo Correia. A obra, publicada pela Seda Publicações em parceria com o Município de Barcelos e o Museu de Olaria, resulta de um trabalho de investigação iniciado há mais de cinco décadas.
A sessão de lançamento contará com a presença do autor e com a apresentação da Doutora Isabel Maria Fernandes.
Adélio Macedo Correia, natural de Barcelos e filho do reconhecido ceramista João Macedo Correia, regressa à investigação que começou entre 1968 e 1970, enquanto cumpria serviço militar obrigatório em Angola, nomeadamente em Cangamba e no Lobito. Incentivado pelo então diretor do Museu de Olaria, de Barcelos, Eugénio Lapa Carneiro, o autor recolheu, durante esse período, cerca de 200 peças de olaria e instrumentos de trabalho.
O livro agora apresentado é o resultado do aprofundamento desses registos e observações de campo, documentando duas coleções de olaria que se revelam verdadeiramente únicas. As peças descritas, muitas delas irrecuperáveis, foram produzidas com técnicas e formas ancestrais, algumas das quais remontam ao período Neolítico. Os locais originais de produção já não existem tal como foram observados por Adélio Correia, o que confere ainda maior relevância e valor patrimonial ao seu trabalho.
Este evento constitui uma oportunidade única para conhecer um testemunho raro sobre práticas cerâmicas africanas, resgatadas do tempo pelo olhar atento de um antropólogo barcelense.
CICLO DE CINEMA: “Imagens da Guiné-Bissau: Memória, Consciência e Futuro”
“NOME” 118′, 2023 de Sana Na N’Hada
27 setembro 16h00
No final da projeção terá lugar uma conversa com o tema “Cinema, Memória e Identidade: O passado em diálogo com o futuro da Guiné-Bissau” com Vanessa Fernandes, Erikson Mendonça e Amadú Dafé.
No dia 23 de setembro pelas 18h30 terá início o Ciclo de Cinema “Imagens da Guiné-Bissau: Memória, Consciência e Futuro” no Museu Nacional de Etnologia com a exibição dos filmes “A Pegada de Todos Tempos” e “A República di Mininus” do realizador Flora Gomes.
No final da projeção terá lugar uma conversa com o tema “Imagens que Libertam: Heranças e Horizontes” com Rita Ié, Miguel de Barros e Ronaldo Mendes.
Apresentação do livro “Jorge Dias e companheiros: A Pesquisa Etnográfica do Centro de Estudos de Etnologia (1947-1968)” de João Leal, dia 18 de setembro de 2025 às 18h00 no auditório do Museu Nacional de Etnologia.
A edição “Jorge Dias e Companheiros: A Pesquisa Etnográfica do Centro de Estudos de Etnologia (1947-1968)”, reúne a investigação realizada pelo Professor João Leal desde 2020 sobre o trabalho de renovação da antropologia portuguesa empreendido por Jorge Dias e pela sua equipa, trabalho indissociável à própria história do Museu Nacional de Etnologia.
EXPOSIÇÃO “um só mundo: fotografias de Derek Charlwood” (26.09.2025 a 09.03.2026)
A exposição “um só mundo” convida o público a mergulhar na singularidade da obra fotográfica de Derek Charlwood, cientista e artista que, ao longo da sua vida, uniu duas paixões aparentemente distintas: a entomologia médica e a fotografia.
Charlwood dedicou décadas da sua carreira ao estudo da ecologia dos mosquitos transmissores de malária, viajando por aldeias e regiões remotas de África, América do Sul, Oceânia e Sudeste Asiático. Mas, além da ciência, o seu olhar captou também a essência humana dos lugares por onde passou. Munido de uma câmara fotográfica, transformou o seu trabalho de campo num registo sensível da vida quotidiana das pessoas que encontrou, revelando a beleza simples e inesperada que surge quando nos dispomos a observar.
Inspirado por poetas e filósofos, como Fernando Pessoa, Charlwood reflete sobre a natureza da beleza e a sua descoberta espontânea. “Se não a procurarmos, encontramo-la”, escreve, lembrando-nos que a beleza está nos olhos de quem vê. Esta perspetiva aproxima-se também da sabedoria zen: “A vida sem um propósito perde o seu sentido.” O seu propósito científico – compreender os insetos transmissores de doenças – deu-lhe acesso a uma dimensão mais ampla: a compreensão de que, independentemente da geografia ou da condição social, partilhamos todos a mesma humanidade.
“um só mundo” é, por isso, mais do que uma exposição de fotografia documental. É um testemunho humanista que ecoa a tradição de grandes mestres da fotografia do pós-guerra, como Sebastião Salgado. Nos rostos, nas expressões e nos gestos registados por Charlwood, encontramos não apenas o rigor de um cientista que documenta, mas sobretudo a empatia de alguém que reconhece, em cada indivíduo, a dignidade universal da condição humana.
No título da exposição ressoa uma convicção fundamental: somos, de facto, um só mundo. A ciência ensinou-lhe a interdependência das espécies e dos ecossistemas; a arte mostrou-lhe a universalidade das emoções e das relações humanas. Em conjunto, estas duas dimensões constroem uma narrativa poderosa sobre unidade, respeito e partilha.
Exhibition “just one world: photographs of Derek Charlwood” (26.09.2025 | 09.03.2026)
The exhibition “just one world” invites the public to immerse themselves in the uniqueness of the photographic work of Derek Charlwood, a scientist and artist who, throughout his life, combined two seemingly distinct passions: medical entomology and photography.
Charlwood devoted decades of his career to studying the ecology of malaria-transmitting mosquitoes, travelling to remote villages and regions in Africa, South America, Oceania and Southeast Asia. But beyond science, his gaze also captured the human essence of the places he visited. Armed with a camera, he transformed his fieldwork into a sensitive record of the daily lives of the people he encountered, revealing the simple and unexpected beauty that emerges when we take the time to observe.
Inspired by poets and philosophers such as Fernando Pessoa, Charlwood reflects on the nature of beauty and its spontaneous discovery. ‘If we don’t look for it, we find it,’ he writes, reminding us that beauty is in the eye of the beholder. This perspective is also close to Zen wisdom: ‘Life without purpose loses its meaning.’ His scientific purpose – to understand disease-carrying insects – gave him access to a broader dimension: the understanding that, regardless of geography or social status, we all share the same humanity.
“just one world” is, therefore, more than just an exhibition of documentary photography. It is a humanistic testimony that echoes the tradition of great post-war masters of photography, such as Sebastião Salgado. In the faces, expressions and gestures captured by Charlwood, we find not only the rigour of a documenting scientist, but above all the empathy of someone who recognises, in each individual, the universal dignity of the human condition.
The title of the exhibition echoes a fundamental conviction: we are, in fact, just one world. Science taught him the interdependence of species and ecosystems; art showed him the universality of emotions and human relationships. Together, these two dimensions construct a powerful narrative about unity, respect and sharing.