
No filme “Catembe”, o realizador moçambicano Faria de Almeida filma o ambiente da Maputo colonial (antiga Lourenço Marques), focando-se no bairro pobre da Catembe. Estreado em 1965, este foi um filme profusamente censurado: a sua representação da vida quotidiana na capital de Moçambique não se conformava à imagem que a administração portuguesa e a sua propaganda desejavam transmitir da sociedade por si governada. Como na Exposição “Fintar a Vida. Caniço, Futebol e o Estado Novo”, este é um filme que, assumindo um registo de proximidade, salienta as divisões profundas entre o centro da cidade branca e os subúrbios africanos. A apresentação, nesta sessão, dos excertos censurados deste filme constitui o mote para um debate acerca da centralidade do controlo da informação e das representações para a reprodução de uma ordem política colonial, algo que se encontra também presente em muitas narrativas sobre a vida de futebolistas moçambicanos.
Partindo do visionamento dos excertos cesurados do filme, a sessão de debate contará com os contributos de Nuno Domingos, curador da exposição, e de Rita Luís e Rui Lopes, investigadores no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa.
No final da sessão, haverá uma visita guiada à exposição “Fintar a Vida. Caniço, Futebol e o Estado Novo“, pelo curador Nuno Domingos.
Entrada livre, sujeita à lotação da sala.
PROGRAMA DA SESSÃO:
15h30 – Visionamento dos excertos cesurados do filme “Catembe”
15h45 – Debate “O papel da censura na representação de Maputo colonial. O caso do filme Catembe”;
16h45 – Visita guiada à exposição “Fintar a Vida: Caniço, Futebol e o Estado Novo”
Nuno Domingos, coordenador do doutoramento em Antropologia e investigador principal no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, trabalha sobre a história do colonialismo português, nomeadamente em Moçambique durante o período do Estado Novo.
Rita Luís, investigadora no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, tem trabalhado sobre a censura em Portugal, nomeadamente no período do Estado Novo.
Rui Lopes, investigador no Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa , trabalha sobre cultura na Guerra Fria, nomeadamente sobre o universo do cinema, bem como sobre a dimensão internacional do Estado Novo e do colonialismo português.