Exposição «PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado»

Exposição «PÓS-MUSEU: ‘A’ de Ausência: Obras da Coleção de Arte Contemporânea do Estado»

MUSEU NACIONAL DE ETNOLOGIA | 11 abril a 13 julho 2025

Partindo de um novo cenário para a realização de uma exposição da Coleção de Arte Contemporânea do Estado, no Museu Nacional de Etnologia, procuramos a apresentação de narrativas latentes, e encetar uma reflexão sobre a política de representação e processos de sub-representação, atenta à mudança dos museus e das coleções no sentido de uma maior abertura ao diálogo crítico sobre o passado colonial. Trata-se de imaginar o que poderia ser um «pós-museu», segundo o termo de Françoise Vergès, que no seu livro Decolonizar o Museu, refere a necessidade de criar um espaço que leve em conta análises críticas sobre o museu ocidental, dito universal, que questione até a inclusividade e a diversidade da estratégia multiculturalista.

Sabemos que a construção de uma coleção envolve mecanismos de exclusão e seleção, apreciação, aquisição, incorporação de obras de arte e exercícios de representação, mas também estamos conscientes de que a nossa prática poderá desencadear investigações e exercícios de interpretação que possam contribuir para a compreensão de uma história diversificada e de um presente em evolução. De resto, são estes processos de investigação e de pesquisa que permitem produzir conhecimento e manter os museus e as coleções num estado de mudança contínua.

Esta é uma exposição caleidoscópica que explora a forma como os artistas retratam experiências singulares e coletivas da identidade cultural, a partir de múltiplas formas de representação e de vários contextos geográficos, geracionais e conceptuais, próximos ou mais distantes. Tomando como ponto de partida determinadas referências estéticas e históricas, interessa-nos perceber como os artistas têm refletido sobre a carga política e social da identidade na sociedade contemporânea, num esforço para contrariar os efeitos quer dos nacionalismos contemporâneos quer do discurso universalista abstrato.

A exposição integra obras de: Ana Silva, Ângelo de Sousa, António Olaio, Carlos Bunga, Catarina Simão, Daniel Barroca, Eugénia Mussa, Filipa César, Grada Kilomba, Gustavo Sumpta, Joaquim Rodrigo, João Pedro Vale, José de Guimarães, Luciana Fina, Manuel Santos Maia, Mónica de Miranda, Nikias Skapinakis, Pedro A.H. Paixão, Pedro Barateiro, René Tavares, Rigo 23, Vasco Araújo, William Kentridge, Yonamine.

Vídeo da Atividade “Mochila Cultural” realizada no âmbito da exposição, a 3 de junho de 2025.


Exhibition «POST-MUSEUM: ‘A’ of Absence. Works From the Portuguese Contemporary Art Collection»

From 11 April until 13 july 2025

Starting from a new scenario for an exhibition of the Portuguese Contemporary Art Collection at the National Museum of Ethnology, we seek to present latent narratives and to begin a reflection on the politics of representation and processes of under-representation, with an eye to the change in museums and collections towards greater openness to critical dialogue about the colonial past. It’s about imagining what a ‘post-museum’ might look like, in the words of Françoise Vergès, who in her book Decolonising the Museum refers to the need to create a space that takes into account critical analyses of the so-called universal Western museum, which even questions the inclusivity and diversity of the multiculturalist strategy.

We know that building a collection involves mechanisms of exclusion and selection, appreciation, acquisition, incorporation of works of art and exercises in representation, but we are also aware that our practice could trigger investigations and exercises in interpretation that could contribute to understanding a diverse history and a different world.

This is a kaleidoscopic exhibition that explores how artists portray singular and collective experiences of cultural identity, using multiple forms of representation and various geographical, generational and conceptual contexts, both close and more distant. Taking certain aesthetic and historical references as a starting point, we are interested in understanding how artists have reflected on the political and social burden of identity in contemporary society, in an effort to counter the effects of both contemporary nationalisms and abstract universalist discourse.

The exhibition includes works by: Ana Silva, Ângelo de Sousa, António Olaio, Carlos Bunga, Catarina Simão, Daniel Barroca, Eugénia Mussa, Filipa César, Grada Kilomba, Gustavo Sumpta, Joaquim Rodrigo, João Pedro Vale, José de Guimarães, Luciana Fina, Manuel Santos Maia, Mónica de Miranda, Nikias Skapinakis, Pedro A.H. Paixão, Pedro Barateiro, René Tavares, Rigo 23, Vasco Araújo, William Kentridge, Yonamine.

Apresentação do livro “Correspondência (1935-1964). António Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira” | 3 de abril, 18h30

O Centro em Rede de Investigação em Antropologia e Etnográfica Press apresentam: 

“Correspondência (1935-1964). António Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira”

(livro organizado e prefaciado por João Leal e Catarina Belo

Apresentação a cargo de Catarina Alves Costa

Lisboa, Museu Nacional de Etnologia, 3 de abril, 18.30h

Sinopse:

O livro “Correspondência (1935-1964). António Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira” – organizado e apresentado por João Leal e Catarina Belo – reúne a correspondência trocada pelos dois antropólogos – e grandes amigos – ao longo de quase trinta anos. Esta inicia-se nos anos de juventude de Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira. A antropologia ainda estava distante e o estado de espírito dos dois era sombrio e desesperançado. O segundo período da correspondência estende-se de 1939 a 1944 e cobre os anos em que Jorge Dias foi leitor de português na Alemanha. Esses anos são marcados por encontros que transformarão profundamente a vida de Jorge Dias: com Margot Schmidt Dias, com quem casará em 1942, e com a etnologia, área onde fará o seu doutoramento em 1944, na Universidade de Munique. A partir do regresso de Jorge Dias a Portugal, em 1944, a correspondência com Ernesto Veiga de Oliveira torna-se mais espaçada e, embora não faltem referências constantes à enorme amizade, o que os liga centra-se prioritariamente em temas relacionados com a sua comum paixão: a investigação etnográfica. Visto no seu conjunto, “Correspondência (1935-1964). António Jorge Dias e Ernesto Veiga de Oliveira” é um importante contributo para melhor conhecermos a vida e a obra de dois dos mais importantes antropólogos portugueses do século XX.

Ciclo «Cinema e Descolonização» | Filme “Fogo no Lodo” | 5 abril, 10h00 | Museu Nacional de Etnologia

Ciclo «Cinema e Descolonização»

5 de abril, 10h00

Museu Nacional de Etnologia

“Fogo no Lodo” de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca

2023, Portugal, 119′

Entrada Livre

Legendas em Português

Filme galardoado em 2023 com o Prémio Fundação INATEL no Doclisboa – Festival Internacional de Cinema e em 2024 com o Prémio Especial do Júri no Apricot Tree Film Festival – festival dedicado ao documentário etnográfico, realizado na Arménia.

O filme será exibido às 10h00, no auditório do Museu Nacional de Etnologia (Avenida Ilha da Madeira Lisboa 1400-204), com entrada livre e legendas em português. Após a projeção do filme, será realizado um debate com a participação de convidados e investigadores do CEsA (a confirmar).

Sinopse – Fogo no Lodo (Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca, 2023, Portugal, 119 min)

Unal é uma aldeia de produtores de arroz cujos habitantes desempenharam um papel crucial na luta de libertação da Guiné-Bissau contra o colonialismo português. Foram os primeiros a envolver-se na revolta armada, mobilizando os seus espíritos ancestrais para a guerrilha. Ainda hoje, cada gesto do ciclo do arroz é assombrado por memórias de guerra. Um trauma inscrito em seus rituais, corpos, paisagens e música techno atuais. Uma imersão num caldeirão de formas religiosas e turbulências políticas, onde veteranos de guerra convivem com jovens inquietos, reivindicando o seu futuro na Guiné-Bissau contemporânea.

Após a projeção do filme, será realizado um debate com a participação de convidados e investigadores do CEsA (a confirmar).

Ciclo «Cinema e Descolonização» | Filme “Uma Memória em Três Actos” | 8 março, 10h00 | Auditório 2 ISEG

A temporada 2024/2025 do Ciclo de Cinema e Descolonização decorre desde novembro de 2024, promovendo sessões em formato cineclube para explorar os legados e as memórias da descolonização. A próxima sessão, marcada para 8 de março, contará com a exibição da produção moçambicana Uma Memória em Três Atos (Inadelso Cossa, 2016, 64 min), galardoada em festivais internacionais de cinema, como o renomado Festival de Zanzibar – um dos mais importantes de África, e o Afrikafilm Festival – respeitado festival de cinema africano na Europa. 

O documentário será exibido às 10h, no Auditório 2 do ISEG (Rua do Quelhas 6, Edifício Quelhas, 2º Piso – Claustro), com entrada livre.

Após a projeção do filme, será realizado um debate com a participação do realizador moçambicano Inadelso Cossa (online), do cineasta moçambicano Camilo de Sousa e da poetisa luso-moçambicana Ana Mafalda Leite, investigadora do CEsA.

Ciclo «Cinema e Descolonização» | Filme “48” | 8 fevereiro, 10h00 | ISEG

O que pode uma fotografia de um rosto revelar sobre um sistema político? O que pode uma imagem captada há mais de 50 anos dizer sobre a nossa actualidade? No próximo dia 8 de fevereiro, o Ciclo de Cinema e Descolonização receberá a realizadora portuguesa Susana de Sousa Dias para a projeção do documentário 48 (2010, Portugal, 93 min), às 10h, no Auditório 2 do ISEG (Rua do Quelhas 6, Edifício Quelhas, 2º Piso – Claustro). A entrada é livre!

A obra 48 baseia-se nos arquivos da PIDE, apresentando fotografias de prisioneiros políticos captados durante os 48 anos de ditadura portuguesa (1926-1974), e revela os mecanismos pelos quais o sistema autoritário procurou perpetuar-se. O documentário foi reconhecido internacionalmente pelo Grand Prix do Cinéma du Réel (França, 2010) e o Prémio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema (Dok Leipzig, 2010), entre outros prémios.

A projeção com entrada gratuita no ISEG e presença da realizadora Susana de Sousa Dias enquadra-se no programa da temporada 2024/2025 do Ciclo de Cinema e Descolonização, um projeto do CEsA – Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento (CSG/ISEG-ULisboa) que promove sessões em formato cineclube para explorar os legados e as memórias da descolonização.

As sessões do Ciclo de Cinema e Descolonização prolongar-se-ão até junho de 2025, com projeções mensais no Auditório 2 do ISEG e entrada livre. Esta iniciativa decorre paralelamente à exposição Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário, patente no Museu Nacional de Etnologia até 2 de novembro.

Coordenação: Jessica Falconi (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa)
Curadoria: Isabel Noronha (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa) e Camilo de Sousa
Consultoria científica: Isabel Castro Henriques (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa), Joana Pereira Leite (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa) e Ana Mafalda Leite (CEsA/CSG/ISEG/ULisboa)
Colaboração: Luca Fazzini e João Moreira Silva
Apoio: CEsA/CSG/ISEG/ULisboa