António Peralta: O pintor que esculpia histórias

"Rebento" | MNE: BK.391 | Fotografia: Ana Varandas

António Peralta (1919-1984) nasceu em Vila Nova do Coit0 (Alm0ster) onde residiu grande parte da sua vida. Foi carpinteiro de muita obra, desde o travejamento e emadeiramento da casa em construção, ao mobiliário, alfaia agrícola e outro equipamento doméstico ou da lavoura.

No começo da década de 1950 vive com a sua companheira na aldeia vizinha de Alforzemel, na casa que está a concluir e onde tem a sua oficina. Quando a conhecemos, falou-nos daquela intensa relação e do interesse de Peralta pela leitura. Daí ela dizer saber de memória o Amor de Perdição que o companheiro lhe lia em voz alta. Virão em breve os anos de ruptura desta ligação, e um progressivo isolamento afasta-o do convívio de familiares e vizinhos. Estes, aparentemente, não vieram a ter conhecimento e nada nos podem dizer da sua obra de artista.

Sabemos que no começo dos anos de 1960 já fazia quadros como os que mostramos, talvez mesmo alguns dos que aqui podemos ver. E é também naqueles anos que deixa de aceitar trabalhos de obra grossa como os que antes fazia.

Peralta vinha a Lisboa de camioneta, na carreira do Vinagre, e colocava os seus quadros em estabelecimentos em vários pontos da cidade, sem que saibamos ainda os motivos ou o puro acaso dessa escolha. Temos notícia, por exemplo, de lugares na Rua da Palma, Rua Barros Queirós, Rua Cecílio de Sousa, ou um adelo entre Alfama e St.ª Apolónia. Ali viriam a despertar o olhar e o fascínio daqueles que, pelos canais da amizade e de cumplicidades sociais e estéticas, partilharam essa revelação.

A pesquisa que conduzimos, inspirada pelas duas exposições antes feitas nas GaleriasTrem e Arco (Faro, 1996) e na Galeria Novo Século (Lisboa, 1998), permitiu reunir cerca de uma centena de quadros e tomar conhecimento de muitos outros que não vieram a ser contemplados nesta exposição. São um espaço em aberto para múltiplas interrogações de uma obra cuja leitura não se esgota na enumeração dos temas, e encontrará muito do seu sentido na própria exigência formal e na execução material que o autor nelas imprime. Uma obra que ajuda a colocar questões para uma antropologia da construção do indivíduo e das formas de interrogar o mundo.

A exposição tornou-se possível pela disponibilidade, generosidade e entusiasmo dos coleccionadores da obra de António Peralta que acrescentaram ao empréstimo dos quadros as preciosas informações sobre as circunstâncias da sua aquisição e a expressão da emoção e dos afectos que neles se projectam.

Aviso

O MNE encerrará excepcionalmente às 15horas do dia 06/01/2012 (6ªfeira), devido a acções de manutenção nas suas instalações, e reabrirá no dia seguinte no horário habitual.
Pedimos desculpas pelo incómodo.

Acção de Formação sobre Inventário do Património Imaterial

A noção de que o património cultural de um povo não se resume apenas aos objectos por ele produzidos, abarcando as manifestações no domínio das tradições orais, das festividades e dos saberes e técnicas tradicionais, tem ganho um peso cada vez maior no trabalho museológico. De entre as actuais competências do Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) está a responsabilidade de promover e concretizar o Inventário Nacional do Património Imaterial, pelo que foi nesse âmbito que decorreu entre os dias 24 e 27 de Outubro, nas instalações do MNE, a acção de formação alusiva a este tema, orientada por Paulo Ferreira da Costa, director do Departamento de Património Imaterial do IMC. Alguns dos seus objectivos foram o desenvolvimento de competências nos domínios do planeamento, gestão, salvaguarda e qualificação; assim como, de competências reflexivas e metodológicas, respeitantes ao património imaterial. Esta formação, organizada pela Rede Portuguesa de Museus, pôde contar com a participação de técnicos de variados domínios disciplinares e áreas de actuação, nomeadamente, de museus e autarquias a norte e sul do país, proporcionando uma troca de experiências muito rica e um debate inspirador relativo tanto ao trabalho já em curso em torno deste tipo de património, como daquele ainda por desenvolver.

12 de Fevereiro – Nova data para o encerramento da exposição "Religiosidade em Vidro"

A exposição “Religiosidade em Vidro” encerra, já não como estava previsto, no dia 10 de Janeiro de 2012, mas no seguinte dia 12 de Fevereiro.