Exibição de Filme “Sweetgrass” | 18 abril 16h00

Sweetgrass (Ilisa Barbash, Lucien Castaing-Taylor, 2009, 101′)

18.04.2026 | sábado | 16h00

Museu Nacional de Etnologia, Auditório

No final da sessão terá lugar uma conversa online com Lucien Castaing-Taylor e Willem de Rooij

O espaço Lumiar Cité e o Museu Nacional de Etnologia apresentam uma sessão especial em que é exibido o filme Sweetgrass (2009), realizado pelos antropólogos visuais Ilisa Barbash e Lucien Castaing-Taylor. Sweetgrass é exibido no âmbito da exposição Hut Hut, de Willem de Rooij, atualmente a decorrer no espaço Lumiar Cité, em colaboração com o Museu Nacional de Etnologia e o Museo del Pastor (Villaralto, Espanha).

Estreado no Festival Internacional de Cinema de Berlim, Sweetgrass aborda a prática da ovinocultura moderna no estado norte-americano de Montana, desde a tosquia e o parto na fazenda até à condução dos rebanhos na busca de pastagens. Nos meses mais quentes, transportados por cavalos ou a pé, ao longo de centenas de quilómetros, os pastores encaminham os grandes rebanhos por montanhosas verdejantes de inclinação vertiginosa, em que animais selvagens espreitam a chegada das ovelhas. Os pastores abrigam-se em tendas de lona, perdidos na solidão da inospitalidade da paisagem e refugiados na expectativa do conforto que os aguarda no regresso. Entre imagens contemplativas que evocam o imaginário cinematográfico do western, aqui com ovinos em vez de bovinos, acedemos a um mundo em que a natureza e a cultura, os animais e os seres humanos, a vulnerabilidade e a violência estão intimamente ligados. Sweetgrass foi produzido no contexto do Harvard Sensory Ethnography Lab, entidade que promove combinações inovadoras de formas estéticas e etnográficas, por meio de diversos suportes, incluindo: filme, vídeo, fotografia, fonografia e instalação.

O filme é falado em inglês, com legendas em português.

Entrada livre, sujeita à lotação da sala.

Willem de Rooij

Hut Hut

até 17.05.2026

Lumiar Cité

Sweetgrass (Ilisa Barbash, Lucien Castaing-Taylor, 2009, 101′)

18.04.2026 | saturday | 16h00

In the end of the screening there will be an online talk with Lucien Castaing-Taylor and Willem de Rooij

Lumiar Cité and the National Museum of Ethnology present a special screening of the film Sweetgrass (2009), directed by visual anthropologists Ilisa Barbash and Lucien Castaing-Taylor. Sweetgrass is being screened as part of Willem de Rooij’s exhibition Hut Hut, currently on display at Lumiar Cité, in collaboration with the National Museum of Ethnology and the Museo del Pastor (Villaralto, Spain).

Premiered at the Berlin International Film Festival, Sweetgrass explores modern sheep farming in the US state of Montana, from shearing and lambing on the farm to driving the flocks in search of pasture. In the warmer months, travelling by horse or motor vehicle over hundreds of kilometres, the shepherds lead the large flocks across verdant, steep-sided mountains, where wild animals lie in wait for the sheep’s arrival. The herders take shelter in mobile tents made of plastic, lost in the solitude of the inhospitable landscape and taking refuge in the anticipation of the comfort that awaits them on their return. Amidst contemplative images that evoke the cinematic imagery of the Western, here with sheep instead of cattle, we enter a world in which nature and culture, animals and humans, vulnerability and violence are intimately linked. Sweetgrass was produced within the context of the Harvard Sensory Ethnography Lab is an organisation that promotes innovative combinations of aesthetic and ethnographic forms through a variety of media, including film, video, photography, sound recordings and installations.

The film is in English with Portuguese subtitles.

Free admission, subject to room capacity

Lançamento do Livro “Hei de voltar – Crónicas de Algures” de João António Tavares | 25 março 18h00

Lançamento do Livro “Hei de voltar – Crónicas de Algures” de João António Tavares

25 março 18h00

Auditório do Museu Nacional de Etnologia

Sinopse:

O mundo é um espaço diverso e uma fonte inesgotável de interesse, como nos mostra João António Tavares ao longo de mais um conjunto de crónicas de viagens que nos levam a 23 países dos vários continentes. Seja na fechada sociedade da Eritreia, nas montanhas indisciplinadas de Dominica, nos litorais arenosos do Uruguai, nos templos estranhos da Coreia do Sul ou mesmo na nossa vizinha Espanha, o autor convida-nos a um agradável exercício de descoberta, partilhando as suas experiências e os seus pensamentos. Destes últimos, ressalta frequentemente a ideia de voltar, porque as descobertas são sempre incompletas, porque cada lugar nos excede, porque queremos mais. Cada resposta gera mais perguntas, cada viagem estimula a seguinte, pelo que, independentemente do regresso se concretizar ou não, a ideia de voltar tranquiliza e seduz. Quererá o leitor voltar?

João António Tavares nasceu nas Lajes das Flores em 1961, tendo vindo para o continente com cinco anos de idade e vivido desde então, quase ininterruptamente, no concelho de Oeiras. É licenciado em Ciências Militares pela Escola Naval, licenciado em Organização e Gestão de Empresas pelo ISEG e mestre em Ciências Empresariais pelo ISCTE. Foi oficial da Marinha Portuguesa, consultor em Gestão e Tecnologias da Informação e, durante dez anos, administrador em Portugal de uma empresa multinacional de Consultoria, Tecnologia e Outsourcing. Conhecer o mundo sempre foi, desde muito cedo, a sua paixão, pelo que foi ao longo do tempo fazendo numerosas viagens aos vários continentes. Depois de «De Mapas a Tesouros», de «Folhas de Plátano» e de «Entre Diamantes», este é o seu quarto trabalho de escrita de viagens, sempre com o subtítulo «Crónicas de Algures»

http://www.facebook.com/heidevoltar

Entrada livre

Performance “Cartografias do Invisível” | 8 Março 2026

Performance: Cartografias do Invisível

Autor: Constança Torres

Data: Dia Internacional da Mulher, 8 Março 2026

Sessões: 15h00 e 17h00

Localização: Auditório do Museu Nacional de Etnologia

Embora os rituais sejam frequentemente entendidos como heranças fixas, a
tradição dos Caretos em Trás-os-Montes revela-se em constante negociação.
Historicamente protagonizado por jovens mascarados que afirmavam domínio
sobre a comunidade e as mulheres, associadas sobretudo à fertilidade, o
ritual manteve o feminino presente, mas socialmente invisível e limitado na sua
participação. Contudo, a investigação de campo, apoiada em testemunhos orais
e trabalho de arquivo, evidencia uma transformação gradual: a crescente integração
das mulheres resulta de negociações internas que reconfiguram quem
realiza o ritual e como os seus significados são transmitidos.
A apresentação deste projeto, marcada para o Dia Internacional da
Mulher, a 8 de março, pretende situar publicamente esta reflexão numa data
dedicada à afirmação dos direitos e das conquistas das mulheres, reforça-se o
diálogo entre tradição e contemporaneidade, evidenciando-se a forma como as
práticas culturais podem constituir espaços de transformação social.
Sem eliminar o seu núcleo masculino, o ritual amplia-se a formas mais
inclusivas. O Caretos afirmam-se não como imagem folclórica estática, mas
como processo vivo, aberto à revisão do género, da memória e da identidade
coletiva, mostrando que a tradição é continuamente reescrita por quem a vive.

Although rituals are often understood as fixed legacies, the tradition of Caretos in
Trás-os-Montes reveals itself to be in constant negotiation. Historically performed
by masked young men who asserted dominance over the community and women,
associated mainly with fertility, the ritual kept women present, but socially invisible
and limited in their participation. However, field research, supported by oral testimonies
and archival work, shows a gradual transformation: the growing integration of
women is the result of internal negotiations that reconfigure who performs the ritual
and how its meanings are transmitted.
The presentation of this project, scheduled for International Women’s Day on
March 8, aims to publicly situate this reflection on a date dedicated to the affirmation
of women’s rights and achievements, reinforcing the dialogue between tradition and
contemporaneity, highlighting how cultural practices can constitute spaces for social
transformation.
Without eliminating its male core, the ritual expands to more inclusive forms.
The Caretos assert themselves not as a static folkloric image, but as a living process,
open to the revision of gender, memory, and collective identity, showing that tradition
is continually rewritten by those who live it.