Lançamento de livro e inauguração de exposição no MNE

Aromas de urze e de lama
Desenhos de Ruth Rosengarten para o livro de João de Pina Cabral

Museu Nacional de Etnologia
Novembro 2008 a Janeiro 2009

A Imprensa de Ciências Sociais e o Museu Nacional de Etnologia têm o prazer de convidar V. Exa para a
apresentação da exposição e do livro Aromas de Urze e de Lama: uma viagem antropológica ao Alto Minho, de
João de Pina Cabral (2ª ed. revista) que será feita pelo Prof. António M. Feijó.
13 Novembro 2008, pelas 18.30h
Uma exposição de desenhos de Ruth Rosengarten inspirados nos poemas de Pedro Homem de Mello e
na viagem antropológica de João de Pina Cabral, acompanhada pelo filme “Regresso à Terra” (1992) de
Catarina Alves Costa.

Exercício de Inventário: a propósito de duas doações de olaria portuguesa

Sinopse

Com esta exposição desejamos assinalar e honrar o gesto generoso e culturalmente comprometido de dois doadores e o significativo enriquecimento do acervo do Museu Nacional de Etnologia daí resultante. Falamos da colecção de barro preto doada pelo Professor e investigador alemão Werner Tobias, no ano de 2002, e da colecção de olaria procedente da generalidade dos centros oleiros do país, constituída pelos Professores Manuel Durão e Maria Helena Lemos e por estes doada ao Museu no ano de 2006, acompanhada de um vastíssimo corpo de documentação.
Com esta exposição procurámos fazer um exercício de interrogação e aprendizagem do processo de elaboração do inventário que necessariamente acompanha a incorporação dos objectos no Museu. Nela damos conta das normas e protocolos que devem ser seguidos ao lidar com os campos a preencher numa ficha de inventário. Mas procuramos fazê-lo não iludindo as dúvidas, as incertezas que convivem com um pragmatismo tantas vezes seco e erroneamente valorado pela sua suposta neutralidade científica. É na própria incerteza e nas imprecisões nunca totalmente resolvidas que se encontra o espaço mais fecundo da reflexão que deve ser parte do trabalho indispensável de um processo de incorporação e inventário, não excluindo os elementos de ironia que afinal podem enriquecer com uma dimensão lúdica aquela aparente secura. Haverá alguns desses apontamentos nesta exposição. Ela é, afinal, um exercício museológico aberto às sugestões dos visitantes, onde tanto as orientações como as dúvidas são uma proposta de diálogo que com eles podemos estabelecer.

Serviço Educativo | Programa de actividades

» Oficinas
Oficina de expressão plástica
MOINHOS E MOÍDOS

Os cereais são vegetais que estão na base da nossa alimentação. Uma das formas de aproveitamento alimentar das sementes e dos grãos passa pela sua transformação em granulados e farinhas. Descascar, esmagar ou farinar são algumas das acções realizadas pelos sistemas de moagem, como por exemplo os almofarizes, as mós e os moinhos accionados manualmente, ou outros ainda movidos pela força das águas, dos ventos ou de animais, como as atafonas.
No sector de reservas Galerias da Vida Rural podes conhecer alguns destes engenhos e até mesmo experimentar a tua força e habilidade numa mó manual! Nesta visita ficarás ainda a saber o que faz um moleiro, quais os usos da farinha e a identificar o grão dos cereais que comes ao pequeno-almoço com leite, ou com os quais se faz o pão ou as doces pipocas!
Depois da visita, vamos dobrar, cortar, pintar e montar um moinho com velas, um móbil ou um papagaio de papel colorido.

GRUPOS
Duração 1h30 (visita guiada+oficina)
Público-alvo 4 aos 12 anos 5>25 participantes
Horário 3.ª feira, às 14h 4.ª feira, às 10h e às 14h
Participação 3€ (por participante)
Sujeito a marcação prévia

Oficina de expressão plástica
PANELAS CANTORAS

Vem conhecer as panelas cantoras dos índios Wauja através de uma “viagem” às Galerias da Amazónia, do Museu Nacional de Etnologia. A seguir à visita participarás numa oficina de expressão plástica, durante a qual poderás modelar panelas com massa pão.

GRUPOS
Duração 1h30 (visita guiada+oficina)
Público-alvo 4 aos 12 anos 5>25 participantes
Horário 3.ª feira, às 14h 4.ª feira, às 10h e às 14h
Participação 3€ (por participante)
Sujeito a marcação prévia

Oficina de expressão dramática
RAMAYANA:
O RAPTO DE SITA

O Ramayana é um poema épico indiano que surge representado nas imagens das pinturas cantadas. A história fala-nos do príncipe Rama corajoso e honesto que, devido à cobiça de uma das rainhas do seu pai, parte para a floresta em exílio.
Durante uma das suas viagens conhece a sua amada Sita cuja beleza atrai o demónio Ravana que decide então raptá-la.
Rama inicia uma busca incessante para encontrar a sua mulher, contando com a ajuda de muitos aliados, seus amigos, como Hanuman, o deus macaco.
Para conhecer melhor a história os mais novos irão participar numa inesperada dramatização do enredo, encarnando as personagens com a ajuda de adereços que estão ocultos numa arca muito, muito antiga…

GRUPOS
Duração 1h30
Público-alvo 8 aos 12 anos 15>25 participantes
Horário 3.ª feira, às 14h 4.ª feira, às 10h e às 14h
Participação 3€ (por participante)
Sujeito a marcação prévia

Oficina de expressão plástica
MODELAÇÃO: CRIAR FORMAS

(a partir de Novembro de 2008)
A motivação principal desta actividade é a exposição Exercício de inventário: a propósito de duas doações de olaria portuguesa. A oficina contempla um trabalho prévio de observação em registos gráficos e cromáticos e depois a criação de formas em barro e/ou pasta de modelar.
De acordo com as faixas etárias dos participantes, serão aplicadas técnicas de modelação, como por exemplo o processo do rolo ou a execução de placas, e dados a conhecer de perto alguns utensílios destas técnicas, como por exemplo os teques e ainda outros que permitem criar diferentes texturas.
A decoração dos trabalhos realizados privilegia técnicas de acabamento observadas nas peças da exposição, ou seja, as gravações e as incrustações.

GRUPOS
Duração 1h30
Público-alvo 6 aos 12 anos 5>25 participantes
Horário 3.ª feira, às 14h 4.ª feira, às 10h e às 14h
Participação 3€ (por participante)
Sujeito a marcação prévia

Oficina sobre inventário de colecções
COLECCIONAR É CONHECER
(a partir de Novembro de 2008)
Quase todos nós somos coleccionadores de objectos que por algum motivo achamos interessantes. As «coisas» que reunimos têm entre si um tema comum, sendo depois a sua variedade de formas e de conteúdos que nos fazem procurar um maior número de exemplares. Fazer uma colecção é, principalmente, expressar o desejo que se tem em conhecer mais e melhor um determinado assunto.
No entanto, frequentemente esquecemo-nos de quão importante é fazer um inventário dos nossos objectos e do conhecimento que temos sobre cada um deles, correndo o risco de, mais tarde, não nos recordarmos de quase nada sobre estes, até mesmo das histórias mirabolantes que vivemos para os conseguir.
Esta actividade vai mostrar-te como o Museu Nacional de Etnologia reúne as suas colecções e como as inventaria; depois, tu próprio irás experimentar o registo de um objecto num livro de tombo e o preenchimento da sua respectiva ficha de inventário. Para além dos suportes tradicionais, as novas tecnologias estarão presentes, pois são um recurso indispensável para fazer este trabalho de uma forma mais rápida e segura, não esquecendo ainda que esse inventário poderá ser consultado também por outras pessoas.
Os objectos a inventariar serão trazidos por ti, e podem pertencer a uma (futura) colecção particular ou colectiva (da turma, ou da escola).

GRUPOS
Duração 1h30
Público-alvo 9 aos 16 anos 5>25 participantes
Horário 3.ª feira, às 14h 4.ª feira, às 10h e às 14h
Participação 3€ (por participante)
O grupo deverá trazer 1 objecto por cada 5 participantes.
Sujeito a marcação prévia

» Visitas guiadas
Visita guiada Reservas
GALERIAS DA AMAZÓNIA

As Galerias da Amazónia são reservas que permitem trazer junto do público a totalidade dos objectos do Museu Nacional de Etnologia procedentes das sociedades ameríndias, em especial da floresta Amazónica. Duas das colecções aqui expostas merecem particular destaque. A primeira foi constituída por Victor Bandeira em meados dos anos 60, por solicitação de Jorge Dias na altura da criação do próprio museu (1965), tendo sido parcialmente exposta em 1966 nas instalações da Sociedade Nacional de Belas Artes por iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian. A mesma viria a ser objecto da exposição Índios da Amazónia que este museu inaugurou em 1986. Trata-se de um primeiro e importante contributo para o conhecimento dos povos da Amazónia. A segunda colecção foi constituída entre 1999/ 2000, junto dos índios Wauja do Xingu, no âmbito da preparação da exposição Os Índios, Nós que este museu inaugurou em 2000. Tornou-se uma das mais extensas colecções procedentes de uma só aldeia, organizada segundo critérios discutidos com os próprios habitantes e problematizados e documentados na exposição Com os Índios Wauja: objectos e personagens de uma colecção amazónica (2004).
Estas reservas são o resultado de um trabalho conduzido desde 1998, com as obras de ampliação do museu e a construção de novos espaços para armazenamento de colecções, e culminam um já extenso conjunto de actividades que comporta exposições, edições, colóquios, realização de filmes e videogramas, estágios e programas de investigação.

GRUPOS
Duração 50 min.
Público-alvo a partir dos 4 anos 5>25 participantes
Horário 3.ª feira, das 14h às 17h
Horário 4.ª feira, das 10h às 17h
Participação Gratuita
Sujeito a marcação prévia

INDIVIDUAIS OU GRUPOS (até 25 elementos)
Duração 50 min.
Público-alvo público em geral
Horário 3.ª feira, às 15h30
Horário 4.ª a 6.ª feira, às 15h30
Participação Gratuita
Não sujeito a marcação prévia

Visita guiada Exposição
PINTURAS CANTADAS:
ARTE E PERFORMANCE DAS MULHERES DE NAYA
A exposição Pinturas Cantadas: arte e performance das mulheres de Naya mostra as obras realizadas pelas mulheres das comunidades Patua do Estado de Bengala na Índia que cantam as histórias que pintam em extensas tiras de papel. Os temas tanto retomam o reportório das tradições orais da comunidade como falam de mudanças sociais e políticas e acontecimentos que marcam a vida da aldeia, do país ou do mundo.

GRUPOS
Duração 50 min.
Público-alvo a partir dos 4 anos 5>25 participantes
Horário 3.ª feira, das 14h às 17h
Horário 4.ª feira, das 10h às 17h
Participação Gratuita
Sujeito a marcação prévia

Visita guiada Reservas
GALERIAS DA VIDA RURAL

Sector de reserva visitável do Museu Nacional de Etnologia que alberga um total de cerca de 3.000 peças, as Galerias da Vida Rural trata-se de um espaço dedicado às colecções ilustrativas de temas alusivos à sociedade rural em Portugal – transportes, sistemas de atrelagem, alfaia agrícola, abrigos de pastor, tecnologia têxtil, sistemas de moagem e equipamento doméstico, assim evidenciando a multiplicidade de soluções desenvolvidas no quadro da diversidade regional do País.
Testemunhos materiais de modos de vida evanescentes ou, em muitos casos, já desaparecidos no momento da sua recolha, a maior parte dos objectos apresentados nestas Galerias foi reunida sobretudo entre as décadas de 1960 e 1970, por Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira, elementos da equipa que está na origem do Museu Nacional de Etnologia e que, com Jorge Dias e Fernando Galhano havia iniciado em finais da década de 40 do século findo o seu percurso de investigação.

GRUPOS
Duração 50 min.
Público-alvo a partir dos 4 anos 5>25 participantes
Horário 3.ª feira, das 14h às 17h
Horário 4.ª feira, das 10h às 17h
Participação Gratuita
Sujeito a marcação prévia

INDIVIDUAIS OU GRUPOS (até 25 elementos)
Duração 50 min.
Público-alvo público em geral
Horário 4.ª a 6.ª feira, às 10h30
Participação Gratuita
Não sujeito a marcação prévia

Visita guiada Exposição
EXERCÍCIO DE INVENTÁRIO: A PROPÓSITO DE DUAS DOAÇÕES DE OLARIA PORTUGUESA

(a partir de Novembro de 2008)
Esta exposição fala de muitas coisas e procura pô-las em relação. Desde logo, com ela desejamos assinalar e honrar o gesto generoso e culturalmente comprometido de dois doadores: a colecção de barro preto doada pelo Professor e investigador alemão Werner Tobias, no ano de 2002, e a colecção de olaria procedente da generalidade dos centros oleiros do país, constituída pelos Professores Manuel Durão e Maria Helena Lemos e por estes doada ao museu no ano de 2006, acompanhada de um vastíssimo corpo de documentação. A aceitação de doações extensas e sistemáticas traz consigo a responsabilidade acrescida da condução de procedimentos de âmbito metodológico e de alcance logístico, que produzam a articulação de toda a informação e documentação disponível e concretizem a sua efectiva incorporação no acervo do museu. Assim aconteceu com estas. Ambas foram estudadas por jovens antropólogos que aqui realizaram os seus estágios de iniciação ao estudo de colecções beneficiando, em qualquer dos casos, do conhecimento e da colaboração empenhada e próxima dos respectivos colectores: Joana Cartaxo com Werner Tobias em relação à colecção de barro preto e João Oliveira com Manuel Durão em relação à colecção geral de olaria portuguesa. Este acompanhamento traduziu-se igualmente na revisitação de alguns dos lugares de origem dos objectos e consequente produção de nova informação e documentação. É também esta uma das vertentes que a exposição quer sinalizar, ao retomar os relatórios finais em que se traduziram aqueles estudos que incidiram sobre o processo de incorporação e inventário, ao mostrar exemplos de filmes entretanto realizados no terreno, e ao contar com a colaboração dos jovens investigadores, seus autores. Esta exposição é também um modo de falar da diversidade de formas e funções, centros de produção e artesãos que a esta actividade têm dedicado a sua vida, procurando trazer exemplos que transmitam uma visão diversificada de um universo material feito de gestualidade e saber fazer e uma pluralidade de finalidades e usos.

GRUPOS
Duração 50 min.
Público-alvo a partir dos 4 anos 5>25 participantes
Horário 3.ª feira, das 14h às 17h
Horário 4.ª feira, das 10h às 17h
Participação Gratuita
Sujeito a marcação prévia

» Preparação de visitas guiadas
EXPOSIÇÕES E RESERVAS

O Serviço Educativo recebe docentes e outros responsáveis de grupos para preparar em conjunto as visitas guiadas aos vários espaços expositivos do Museu.

Horário 3.ª feira, das 10h às 12h30
Sujeito a marcação prévia

OUTRAS INFORMAÇÕES

CONTACTOS
Sandra Silva
Responsável pelo Serviço Educativo
Museu Nacional de Etnologia
Av.ª Ilha da Madeira, 1400-203 Lisboa
Tel. 21 304 11 60/9 Fax 21 301 39 94

Conservação e Restauro: estágio 2008

Ao abrigo do protocolo de colaboração para realização de estágios celebrado entre o Instituto Politécnico de Tomar e o Instituto dos Museus e da Conservação /Museu Nacional de Etnologia terminou, com apresentação pública a 21 de Julho de 2008, o estágio de Cláudia Duarte.

A formação obtida durante este estágio foi muito abrangente, focando vários aspectos relacionados com a gestão do acervo do ponto de vista da Área de Conservação e Restauro, nomeadamente normas de segurança e regras de trabalho no MNE, procedimentos de incorporação de novos objectos, correcta instalação de objectos em reserva (incluindo a criação de suportes adequados), controlo integrado de infestações e diversas outras acções relacionadas com procedimentos de conservação preventiva e tratamentos de conservação.

Para além de assegurar algumas tarefas de rotina relacionadas com o plano de conservação preventiva do MNE este estágio teve dois objectivos principais: o acompanhamento do processo de transferência do acervo do Museu de Arte Popular e o tratamento de conservação de um molim proveniente do mesmo Museu.

No primeiro objectivo Cláudia Duarte agiu como courier, acompanhando os diversos transportes e acções de desinfestação de todo o acervo, assegurando os aspectos práticos necessários para garantir transportes seguros. Já no MNE, Cláudia Duarte, em conjunto com outros colaboradores, procedeu a instalação em reserva de parte do acervo.

Para o segundo objectivo foi seleccionado um objecto em muito mau estado de conservação no qual foi realizado um tratamento de alguma complexidade precedido da elaboração de diagnóstico e de pesquisa sobre conservação de peles etnográficas. A par deste tratamento foram realizados ainda outros, mais simples e de execução mais rápida.

Cláudia Duarte atingiu, e em alguns pontos chegou a ultrapassar, os objectivos propostos para este estágio, estando este entre os melhores estágios curriculares realizados no MNE.

Como conclusão salienta-se que este estágio permitiu uma formação sólida em conservação e restauro apoiada também nos conhecimentos teóricos adquiridos durante o curso que foram sendo complementados e consolidados durante os aspectos práticos das tarefas desenvolvidas.

Cláudia Duarte supervisionando a chegada ao MNE de objectos da colecção de mobiliário provenientes do Museu de Arte Popular

Cláudia Duarte durante uma fase do tratamento de conservação de um molim proveniente do Museu de Arte Popular