

Performance: Cartografias do Invisível
Autor: Constança Torres
Data: Dia Internacional da Mulher, 8 Março 2026
Sessões: 15h00 e 17h00
Localização: Auditório do Museu Nacional de Etnologia
Embora os rituais sejam frequentemente entendidos como heranças fixas, a
tradição dos Caretos em Trás-os-Montes revela-se em constante negociação.
Historicamente protagonizado por jovens mascarados que afirmavam domínio
sobre a comunidade e as mulheres, associadas sobretudo à fertilidade, o
ritual manteve o feminino presente, mas socialmente invisível e limitado na sua
participação. Contudo, a investigação de campo, apoiada em testemunhos orais
e trabalho de arquivo, evidencia uma transformação gradual: a crescente integração
das mulheres resulta de negociações internas que reconfiguram quem
realiza o ritual e como os seus significados são transmitidos.
A apresentação deste projeto, marcada para o Dia Internacional da
Mulher, a 8 de março, pretende situar publicamente esta reflexão numa data
dedicada à afirmação dos direitos e das conquistas das mulheres, reforça-se o
diálogo entre tradição e contemporaneidade, evidenciando-se a forma como as
práticas culturais podem constituir espaços de transformação social.
Sem eliminar o seu núcleo masculino, o ritual amplia-se a formas mais
inclusivas. O Caretos afirmam-se não como imagem folclórica estática, mas
como processo vivo, aberto à revisão do género, da memória e da identidade
coletiva, mostrando que a tradição é continuamente reescrita por quem a vive.
Although rituals are often understood as fixed legacies, the tradition of Caretos in
Trás-os-Montes reveals itself to be in constant negotiation. Historically performed
by masked young men who asserted dominance over the community and women,
associated mainly with fertility, the ritual kept women present, but socially invisible
and limited in their participation. However, field research, supported by oral testimonies
and archival work, shows a gradual transformation: the growing integration of
women is the result of internal negotiations that reconfigure who performs the ritual
and how its meanings are transmitted.
The presentation of this project, scheduled for International Women’s Day on
March 8, aims to publicly situate this reflection on a date dedicated to the affirmation
of women’s rights and achievements, reinforcing the dialogue between tradition and
contemporaneity, highlighting how cultural practices can constitute spaces for social
transformation.
Without eliminating its male core, the ritual expands to more inclusive forms.
The Caretos assert themselves not as a static folkloric image, but as a living process,
open to the revision of gender, memory, and collective identity, showing that tradition
is continually rewritten by those who live it.