Exposições Temporárias

EXPOSIÇÃO “um só mundo: fotografias de Derek Charlwood” (26.09.2025 a 09.03.2026)

A exposição “um só mundo” convida o público a mergulhar na singularidade da obra fotográfica de Derek Charlwood, cientista e artista que, ao longo da sua vida, uniu duas paixões aparentemente distintas: a entomologia médica e a fotografia.

Charlwood dedicou décadas da sua carreira ao estudo da ecologia dos mosquitos transmissores de malária, viajando por aldeias e regiões remotas de África, América do Sul, Oceânia e Sudeste Asiático. Mas, além da ciência, o seu olhar captou também a essência humana dos lugares por onde passou. Munido de uma câmara fotográfica, transformou o seu trabalho de campo num registo sensível da vida quotidiana das pessoas que encontrou, revelando a beleza simples e inesperada que surge quando nos dispomos a observar.

Inspirado por poetas e filósofos, como Fernando Pessoa, Charlwood reflete sobre a natureza da beleza e a sua descoberta espontânea. “Se não a procurarmos, encontramo-la”, escreve, lembrando-nos que a beleza está nos olhos de quem vê. Esta perspetiva aproxima-se também da sabedoria zen: “A vida sem um propósito perde o seu sentido.” O seu propósito científico – compreender os insetos transmissores de doenças – deu-lhe acesso a uma dimensão mais ampla: a compreensão de que, independentemente da geografia ou da condição social, partilhamos todos a mesma humanidade.

“um só mundo” é, por isso, mais do que uma exposição de fotografia documental. É um testemunho humanista que ecoa a tradição de grandes mestres da fotografia do pós-guerra, como Sebastião Salgado. Nos rostos, nas expressões e nos gestos registados por Charlwood, encontramos não apenas o rigor de um cientista que documenta, mas sobretudo a empatia de alguém que reconhece, em cada indivíduo, a dignidade universal da condição humana.

No título da exposição ressoa uma convicção fundamental: somos, de facto, um só mundo. A ciência ensinou-lhe a interdependência das espécies e dos ecossistemas; a arte mostrou-lhe a universalidade das emoções e das relações humanas. Em conjunto, estas duas dimensões constroem uma narrativa poderosa sobre unidade, respeito e partilha.

Exhibition “just one world: photographs of Derek Charlwood” (26.09.2025 | 09.03.2026)

The exhibition “just one world” invites the public to immerse themselves in the uniqueness of the photographic work of Derek Charlwood, a scientist and artist who, throughout his life, combined two seemingly distinct passions: medical entomology and photography.

Charlwood devoted decades of his career to studying the ecology of malaria-transmitting mosquitoes, travelling to remote villages and regions in Africa, South America, Oceania and Southeast Asia. But beyond science, his gaze also captured the human essence of the places he visited. Armed with a camera, he transformed his fieldwork into a sensitive record of the daily lives of the people he encountered, revealing the simple and unexpected beauty that emerges when we take the time to observe.

Inspired by poets and philosophers such as Fernando Pessoa, Charlwood reflects on the nature of beauty and its spontaneous discovery. ‘If we don’t look for it, we find it,’ he writes, reminding us that beauty is in the eye of the beholder. This perspective is also close to Zen wisdom: ‘Life without purpose loses its meaning.’ His scientific purpose – to understand disease-carrying insects – gave him access to a broader dimension: the understanding that, regardless of geography or social status, we all share the same humanity.

“just one world” is, therefore, more than just an exhibition of documentary photography. It is a humanistic testimony that echoes the tradition of great post-war masters of photography, such as Sebastião Salgado. In the faces, expressions and gestures captured by Charlwood, we find not only the rigour of a documenting scientist, but above all the empathy of someone who recognises, in each individual, the universal dignity of the human condition.

The title of the exhibition echoes a fundamental conviction: we are, in fact, just one world. Science taught him the interdependence of species and ecosystems; art showed him the universality of emotions and human relationships. Together, these two dimensions construct a powerful narrative about unity, respect and sharing.

Exposição “Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário” | 30.10.2024 a 29.03.2026

A exposição “Desconstruir o Colonialismo, Descolonizar o Imaginário. O Colonialismo Português em África: Mitos e Realidades” estará patente ao público na maior sala de exposições temporárias do Museu Nacional de Etnologia entre 30 de outubro de 2024 e 30 de Novembro de 2025.

A exposição, co-organizada pelo Museu Nacional de Etnologia (Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.) e o Centro de Estudos Sobre África e do Desenvolvimento (Instituto Superior de Economia e Gestão, UL), realiza-se no contexto da prioridade que o Museu confere ao estudo de proveniência das suas coleções extraeuropeias e da reflexão sobre o contexto colonial em que o museu foi fundado e procedeu à recolha das suas primeiras coleções, procurando o envolvimento do público e das comunidades na valorização e divulgação das suas próprias culturas.

Concebida e coordenada pela historiadora Isabel Castro Henriques, a exposição visa apresentar as linhas de força do colonialismo português em África nos séculos XIX e XX. Tem como objetivos desconstruir os mitos criados pela ideologia colonial, descolonizar os imaginários portugueses e contribuir, de forma pedagógica e acessível, para uma renovação do conhecimento sobre a questão colonial portuguesa.

Dois eixos centrais estruturam a narrativa da exposição. O primeiro eixo organiza-se em painéis temáticos, nos quais texto e imagem se articulam, pondo em evidência as linhas de força do colonialismo português dos séculos XIX e XX, e dando a palavra ao conhecimento histórico. O segundo eixo pretende “fazer falar” as obras de arte africanas, como evidências materiais do pensamento e da cultura africanas, evidenciando a complexidade organizativa dos sistemas sociais e culturais destas sociedades, permitindo mostrar a criatividade, a vitalidade, a sabedoria, a racionalidade, a diversidade identitária e as competências africanas e contribuindo para evidenciar e desconstruir a natureza falsificadora dos mitos coloniais portugueses. 

Este segundo eixo da exposição é constituído por uma seleção de 139 obras, repartidas entre coleções do Museu Nacional de Etnologia, incluindo algumas peças em depósito da Fundação Calouste Gulbenkian  e do colecionador Francisco Capelo, e obras de arte africana contemporânea dos artistas Lívio de Morais, Hilaire Balu Kuyangiko e Mónica de Miranda.

Realizada no âmbito das Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril, este projeto resulta das pesquisas desenvolvidas pela equipa de cerca de trinta investigadores que nele colaboraram, tendo igualmente contado com o indispensável contributo de muitas entidades, nacionais e estrangeiras, que cederam a profusa documentação iconográfica apresentada nos painéis explicativos em torno dos quais se desenvolve a narrativa da exposição.

A Comissão Executiva da Exposição é presidida por Isabel Castro Henriques e integrada por Inocência Mata, Joana Pereira Leite, João Moreira da Silva, Luca Fazzini e Mariana Castro Henriques, e a sua Comissão Científica, igualmente presidida por Isabel Castro Henriques,  é constituída por 20 elementos, entre os quais António Pinto Ribeiro, Aurora Almada Santos, Elsa Peralta, Isabel do Carmo e José Neves.

A museografia, instalação e apresentação ao público da totalidade das obras das coleções do Museu Nacional de Etnologia foi assegurada pela própria equipa do Museu, que igualmente assegurou a produção da exposição, com a colaboração da equipa da Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. O Projeto Expositivo e de Comunicação da exposição é da autoria do P 06 studio.

De entre o programa paralelo a desenvolver entre 2024 e 2025 no âmbito deste projeto, destaca-se-se a realização de exposição itinerante, de caráter exclusivamente documental, que circulará por escolas e centros culturais em Portugal, assim como em diversos espaços de língua portuguesa, em África e no Brasil. Ainda em 2024 terá início, no âmbito desse programa paralelo, o ciclo Cinema e Descolonização, com projeções de filmes relacionados com a realidade pós-colonial, a decorrer no ISEG e no Museu Nacional de Etnologia, encontrando-se prevista a realização de outras ações de caráter científico, nomeadamente Conferências e Colóquios, também em parceria com outras entidades.

A realização da exposição é acompanhada pela edição de livro homónimo, publicado pelas Edições Colibri, em cujas 344 páginas os c. de trinta investigadores que colaboraram neste projeto desenvolvem os vários temas abordados.


Exhibition  ‘Deconstructing Colonialism, Decolonising the Imaginary’ | 30.10.24 until 29.03.26

The exhibition ‘Deconstructing Colonialism, Decolonising the Imaginary. Portuguese Colonialism in Africa: Myths and Realities’ will be on display to the public in the largest temporary exhibition room of the National Museum of Ethnology between 30 October 2024 and 30 November 2025.

The exhibition, co-organised by the National Museum of Ethnology (Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E.) and the Centre for African and Development Studies CEsA (Instituto Superior de Economia e Gestão, UL), takes place in the context of the Museum’s priority to study the provenance of its extra-European collections and to reflect on the colonial context in which the museum was founded and its first collections were gathered, seeking to involve the public and communities in the appreciation and dissemination of their own cultures.

Conceived and coordinated by historian Isabel Castro Henriques, the exhibition aims to present the outlines of Portuguese colonialism in Africa in the 19th and 20th centuries. It aims to deconstruct the myths created by colonial ideology, decolonise Portuguese imagery and contribute, in an educational and accessible way, to a renewal of knowledge about the Portuguese colonial question.

Two central axes structure the exhibition’s narrative. The first axis is organised in thematic panels, in which text and image are articulated, highlighting the outlines of Portuguese colonialism in the 19th and 20th centuries, and giving the word to historical knowledge. The second axis aims to ‘make African works of art speak’, as material evidence of African thought and culture, highlighting the organisational complexity of the social and cultural systems of these societies, making it possible to show African creativity, vitality, wisdom, rationality, identity diversity and skills, and helping to highlight and deconstruct the falsifying nature of Portuguese colonial myths. 

This second axis of the exhibition is formed by a selection of 139 works, divided between the collections of the National Museum of Ethnology, including some pieces on deposit from the Calouste Gulbenkian Foundation and the collector Francisco Capelo, and works of contemporary African art by the artists Lívio de Morais, Hilaire Balu Kuyangiko and Mónica de Miranda.

Conducted as part of the 50th anniversary celebrations of the 25 April Revolution, this project is the result of the work carried out by a team of around thirty researchers who collaborated on it, as well as the indispensable contribution of many national and foreign entities, who provided the profuse iconographic documentation presented in the explanatory panels around which the exhibition’s narrative is developed.

The exhibition’s Executive Committee is chaired by Isabel Castro Henriques and includes Inocência Mata, Joana Pereira Leite, João Moreira da Silva, Luca Fazzini and Mariana Castro Henriques, and its Scientific Committee, also chaired by Isabel Castro Henriques, is made up of 20 members, including António Pinto Ribeiro, Aurora Almada Santos, Elsa Peralta, Isabel do Carmo and José Neves.

The museography, installation and presentation to the public of all the works in the National Museum of Ethnology’s collections was carried out by the Museum’s own team, which also ensured the production of the exhibition, with the collaboration of the team from Museus e Monumentos de Portugal, E.P.E. The Communication and Exhibition Project was developed by P 06 studio.

The parallel programme to be developed between 2024 and 2025 as part of this project includes a travelling exhibition, exclusively for documentational purposes, which will be shown in schools and cultural centres in Portugal, as well as in various Portuguese-speaking areas in Africa and Brazil. Also in 2024, as part of this parallel programme, a film cycle entitled “Cinema and Decolonisation” will take place, with screenings of films related to the post-colonial reality, at ISEG and the National Museum of Ethnology, and other scientific activities are planned, namely Conferences and Colloquia, also in partnership with other entities.

The exhibition is accompanied by the publication of a book of the same name, published by Edições Colibri, expanding the various themes covered in the exhibition by the researchers who collaborated on the project.

Deixe um comentário